ESTREANDO NAS PLATAFORMAS, “UM INVERNO EM NOVA YORK” É ALENTO DO BEM EM TEMPOS DIFÍCEIS.

Por Celso Sabadin.

Mudam as percepções, muda o mundo, muda o crítico. Se eu tivesse visto “Um Inverno em Nova York” há – digamos – uns 10 anos, provavelmente eu o teria achado ingênuo. Agora, diante de uma nova perspectiva mundial maltratada por ódios e polarizações, tendo a considerá-lo necessário.

Isto porque trata-se de um filme, como se diz popularmente, “do bem”. São personagens sufocados por seus – gigantescos – perrengues, cada qual em rota de colisão com seus próprios limites, e que só conseguirão fugir de seus inexoráveis destinos trágicos se encontrarem, pelo acaso do caminho, pares iguais em seus desesperos. É a tal aritmética humana que diz que menos com menos pode dar mais.

O time de “outsiders” e/ou “losers” que se encontram no inverno nova-iorquino do título em português do longa inclui uma mãe com dois filhos fugindo de um pai violento, uma enfermeira solitária que também trabalha como voluntária assistencial, um rapaz que simplesmente não consegue se encaixar em nenhum tipo de atividade profissional, e o administrador de um restaurante russo decadente. Neste sentido, o título original do filme (“The Kindness of the Srangers”, retirado da peça “Um Bonde Chamado Desejo”), pode de fato não ser comercialmente atrativo, mas seria mais fiel á trama.

Sem escorregar no piegas e evitando a todo custo as barbaridades do coaching ou da auto-ajuda (armadilhas que o roteiro perigosamente poderia proporcionar), “Um Inverno em Nova York” se desenvolve com ritmo, habilidade narrativa, afeto, e ótimos desempenhos de um elenco dos mais carismáticos e homogêneos formado por Zoe Kazan, Andrea Riseborough, Tahar Rahim, Caleb Landry Jones, Esben Smed, Jay Baruchel, além de um Bill Nighy que, como sempre rouba a cena.

Escrito e dirigido pela premiada diretora dinamarquesa Lone Scherfig (“Um Dia”, “Educação”), “Um Inverno em Nova York”, foi exibido em competição na noite de abertura do 69º Festival Internacional de Cinema de Berlim, e estreia nesta sexta-feira (6/11) nas plataformas Claro Vídeo, Now, Vivo Play, iTunes, Apple TV, Google Play, YouTube Filmes e Sky Play.

Trata-se de uma coprodução entre Dinamarca, Canadá, Suécia, França, Alemanha, Inglaterra e, ufa, EUA.