“HARMONIA SILENCIOSA”, VALORIZANDO OS EXCLUÍDOS.

Por Celso Sabadin.

Navegando pela tendência cinematográfica de valorização das minorias (que nem sempre são tão minorias assim), o drama romântico “Harmonia Silenciosa” une dois personagens, no mínimo, cativantes: Noah (Reece Noi), um guitarrista cansado de fazer parte de uma pequena banda que só toca sucessos antigos; e Finn (Yiana Pandelis), que luta contra todas as dificuldades para tentar manter aberta sua escola para pessoas portadoras de deficiências auditivas. Apoiando-se um no outro em suas carências e sonhos, Noah e Finn se aproximam afetivamente. Noah é gay; Finn é transexual.

Com uma temática que inevitavelmente nos faz lembrar do recente “O Som do Silêncio”, “Harmonia Silenciosa” é o segundo longa escrito pela roteirista Ally Burnham, e o primeiro feito para o cinema pelo diretor, Ian Watson (não confundir com o homônimo escritor de “A. I. Inteligência Artificial”), de larga experiência na televisão.
De estilo clássico e despretensioso, o filme tem o grande mérito de retratar seus protagonistas com afeto e dignidade, ao mesmo tempo em que consegue conduzir sua narrativa romântica com firmeza e segurança, sem cair nas armadilhas de um sentimentalismo fácil que, felizmente, não acontece.

Coproduzido por Austrália e Emirados Árabes Unidos, “Harmonia Silenciosa” conquistou o Prêmio Queer no Mardi Gras Film Festival e venceu a categoria Melhor Filme Australiano no Melbourne Queer Film Festival.
Estreou na plataforma Cinema Virtual (www.cinemavirtual.com.br) no último dia 20 de maio.