“LOOP”: SIM, O BRASIL FAZ FICÇÃO CIENTÍFICA.

Por Celso Sabadin.

Com roteiro e direção do cuiabano Bruno Bini (em sua estreia em longas), “Loop” estreia nos cinemas com o aval de duas importantes premiações recebidas no Festival de Manchester, na Inglaterra: Prêmio do Júri e Melhor Filme do evento.

A trama começa em ritmo de policial. No alto de um prédio, vemos um homem ferido no chão do terraço, uma mulher morta ao seu lado, e uma terceira pessoa que – antes de se suicidar atirando-se do edifício – diz: “Você tinha que ter chegado mais cedo”. Corta para a delegacia, onde o perturbado sobrevivente desta cena de horror tenta explicar o ocorrido para um investigador/delegado. A história do rapaz não faz sentido e, pior, o policial não duvida dela. Começa assim uma viagem – no mais amplo sentido da palavra – que só não dá pra dizer que é feita em flashbacks porque o inventivo roteiro tentará desconstruir exatamente esta noção de tempo linear. Ou seja, diluem-se no tempo e no espaço os conceitos de flashback e fast-forward.

Geralmente nossa mente colonizada associa os termos “ficção científica” e “cinema” a uma baciada de efeitos especiais digitais espetacularizados. Não é o caso de “Loop”. Ainda que o longa tenha produção executiva de Fernando Meirelles, cineasta sintonizada com os desejos e aspirações do mercado, aqui o aspecto científico-ficcional está fundamentado na possibilidade metafísica de viajar no tempo. Sem a necessidade de nenhum De Lorean. É embarcar ou largar.

Não se trata de nenhum Christopher Nolan, mas “Loop” tem a habilidade do entretenimento que mistura ficção, policial, drama familiar e uma pitada de ação.
No elenco, Bruno Gagliasso (também produtor do filme),Bia Arantes e Branca Messina.