“OS MELHORES ANOS DE UMA VIDA”, DELICIOSO REVIVAL NONAGENÁRIO.
Por Celso Sabadin.
Adoro Claude Lelouch! Pronto, falei, tô leve. Ele é extremamente romântico, realiza filmes tão açucarados que devem fazer mal a espectadores diabéticos, mas eu gosto. Trata-se de um cineasta que não tem medo de ser chamado de melodramático, e que é um dos últimos vivos dentro deste gênero. Filmes de Lelouch fazem bem à alma, principalmente nestes momentos tão cínicos em que estamos vivendo.
Em 2019, aos 82 anos, Claude Lelouch retomou seu maior sucesso – “Um Homem, uma Mulher”, de 1966 – para contar a história de como estariam, hoje, os personagens que se apaixonaram perdidamente, naquela longínqua década de 60. O resultado é “Os Melhores Anos de uma Vida”, que estreia no Brasil neste 24 de junho.
O ex-piloto de corridas Jean-Louis Duroc (vivido por Jean-Louis Trintignant, atualmente com 90 anos) e a bela Anne Gauthier (Anouk Aimée, 89) se reencontram mais de meio século após a intensa paixão que viveram no passado. Ela, sossegada, dona de uma loja; e ele, internado numa instituição para idosos, com problemas de memória.
Pelo menos para quem curtiu o filme original, o reencontro e seus desdobramentos são emocionantes. Lelouch é hábil na mistura de flash-backs, sabiamente usa e abusa da famosa trilha sonora de Francis Lai que marcou época, e sagazmente brinca com jogos de lembranças e memórias tanto com as mentes de seus protagonistas, como com as percepções dos espectadores.
Não saberia dizer se quem não viu os filmes anteriores (sim, também foi feito “Um Homem, uma Mulher, 20 anos Depois”, de 1986) curtiria “Os Melhores Anos de uma Vida” com a mesma intensidade de quem viu. Acredito que não, mas fica a dica: rever o original e curtir este delicioso revival nonagenário.

