ESTREIAS EXPLORAM ARMAMENTO E VIOLÊNCIA.
Por Celso Sabadin.
Dois filmes estreando esta semana no Brasil mostram com violência a paixão insana e doentia dos norte-americanos por temas relacionados às armas: “Sobreviva ou Morra Tentando” (“Run Hide Fight”) e “Perseguição na Neve” (“Blood and Money”), ambos produzidos no ano passado, nos EUA.
O primeiro aborda um tema infelizmente bastante recorrente na cultura dos Estados Unidos: os tiroteios em escolas. Aqui, porém, o roteiro vai muito além do atirador solitário e perturbado que, quando menos se espera, invade a escola com um fuzil. Como manda a nossa atual sociedade da espetacularização, agora o ataque é muito mais violento, planejado e articulado minuciosamente por um grupo de estudantes alucinados, e envolve até um caminhão bomba.
O ritmo de suspense e ação desenvolvido pelo roteirista e diretor Kyle Rankin é bastante satisfatório para este tipo de produto, que caminha com segurança pelas trilhas dos clichês do gênero, ao mesmo tempo em que ser permite tecer algumas críticas contra a sociedade contemporânea. A mais clara delas diz respeito ao nível de desequilíbrio mental a que chegou a necessidade demente de fazer sucesso nas mídias sociais e de massa. Tangencialmente, o filme também condena o armamento indiscriminado, principalmente quando o líder da revolta diz que todo o plano foi muito difícil de executar, “exceto a parte de conseguir as armas”.
Seguindo a tendência do empoderamento feminino, a heroína é vivida por Isabel May, dos seriados “Jovem Sheldon” e “Alexa & Katie”.
“Sobreviva ou Morra Tentando” estreia em 8 de julho no novo sistema Cining, que funciona por meio de ingressos adquiridos diretamente no site das redes de cinemas parceiras ou de vendas de tickets, e é feito digitalmente por meio de um PIN (código de acesso único e intransferível) pelo site www.cining.com.br.
Já “Perseguição na Neve” se situa no universo de uma das maiores maldades do ser humano: a caça esportiva. Não entra na minha cabeça como alguém supostamente adulto e responsável se municia de uma arma poderosa, com mira telescópica, e covardemente se esconde ou se camufla para abater covardemente um animal, sem ter a necessidade de se alimentar dele. Foge à minha compreensão.
O filme mostra Jim (Tom Berenger, astro de vários sucessos dos anos 80, como “Platoon”, “O Reencontro”, “Cães de Guerra”, etc.), um homem perturbado por um segredo de seu passado que se refugia nos gélidos campos dos EUA para tentar esquecer de suas mazelas, caçando. Até que um dia um acidente durante a caça coloca Jim na alça de mira de um perigoso bando de criminosos, todos eles, claro, também devidamente armados poderosamente.
Com roteiro e direção do estreante John Barr, “Perseguição na Neve” até que vai bem quando desenvolve sua parte dramática de construção de personagens e armação de conflitos, mas desanda quando muda o tom e parte para a ação e aventura. A partir daí, peca na verossimilhança (há fugas e escapadas do protagonista bem difíceis de acreditar), e perde-se na dramaturgia que se torna cada vez mais rasa.
Há, porém, algo de perturbador em ambos os filmes aqui citados. Sabe aquela famosa cena-clichê em que o representante do “bem” (ou pelo menos o protagonista com o qual o público é convidado a se identificar) tem a oportunidade de matar covardemente o vilão, mas não o faz para não se rebaixar ao nível do “mal”? Pois bem… nestes dois filmes, ele mata mesmo. Covardemente. Seria um sinal cinematográfico dos tempos difíceis, violentos e sem caráter que estamos vivendo?
“Perseguição na Neve” estreia em 2 de julho nas plataformas digitais Claro Now, Vivo Play, Sky Play, iTunes/Apple TV, Google Play e YouTube Filmes para compra e aluguel.

