“PEDRO E INÊS”, PRIORIZANDO A PALAVRA.
Por Celso Sabadin.
O cinema português, invariavelmente trágico e discursivo, honra suas tradições em “Pedro e Inês”, coprodução brasileiro-franco-lusitana a estrear no Brasil nesta quinta-feira, 8 de julho.
O filme narra uma história de amor, desgraça e loucura que se perpetua por três tempos: na idade média onde Pedro é um príncipe pressionado pelo Rei, seu pai, a se casar com uma mulher que ele sequer conhece; no presente, onde o protagonista e sua verdadeira amada, Inês, são arquitetos numa grande empresa comandada pelo pai de Pedro; e num futuro distópico, onde as pessoas tentam fugir das convenções sociais para tentar uma sobrevivência mais humana.
Nos três casos, o elenco permanece o mesmo, com Pedro sendo protagonizado por Diogo Amaral, Joana de Verona vivendo Inês, e João Lagarto interpretando o pai de Pedro, que é também seu secular algoz.
A base do roteiro de Antonio Ferreira, também diretor do filme, é o romance “A Trança de Inês”, de Rosa Lobato de Faria, que por sua vez se escora nos trágicos acontecimentos que envolveram D.Pedro I (o de Portugal, não do Brasil) e sua amante Inês de Castro, no século 14.
Ainda que desenvolvido sobre um material original de fortíssimo potencial imagético, “Pedro e Inês” insiste na tradição verbal do cinema português (que influencia igualmente sua ex-colônia, o Brasil), fazendo com que o longa se apoie muito mais sobre a linguagem literária que sobre a cinematográfica. O excesso de texto dilui a força das imagens, criando um resultado de assimilação mais truncada que a belíssima história/lenda poderia oferecer.
“Pedro e Inês” foi indicado a 10 premiações na Sophia, a principal láurea do cinema de Portugal.

