DRAMA EXASPERANTE “BUSCA NO DESERTO” INVESTIGA A LOUCURA.
Por Celso Sabadin.
A estreia do diretor Amin Sidi-Boumédiène no longa metragem é das mais promissoras: “Busca no Deserto” foi exibido pela primeira vez na Quinzena dos Realizadores, em Cannes, e ganhou prêmios em cinco festivais internacionais, incluindo o de Melhor Filme no Festival de Sevilha.
A trama, escrita pelo próprio diretor, se passa em 1994, durante a Guerra Civil da Argélia. É neste cenário de tensões e desolações que dois policiais – Lotfi (o premiadíssimo Lyès Salem) e S (o estreante Slimane Benouari) – empreendem uma perturbadora e insana jornada pelo deserto.
Lotfi conduz seu grande amigo e colega S pelos tortuosos caminhos de uma suposta pista que poderia levar à solução de um assassinato. Tal crime, entretanto, seria apenas o que Hitchcock chamava de “McGuffin”, ou seja, um pretexto para desencadear os conflitos que realmente importarão no filme.
Tudo se centraliza na relação entre ambos: Lofti tenta a todo custo manter algum controle nas ações obsessivas empreendidas por S., que visivelmente enlouquece durante a empreitada. Apesar dos protagonistas serem policiais, “Busca no Deserto” não é um filme deste gênero, mas sim um denso drama humano emoldurado pela incomensurável e opressora aridez do Saara.
Em determinados instantes, “Busca no Deserto” remete a “A Última Tentação de Cristo”, de Scorsese.
Realidade, presente, passado e alucinações gradativamente se misturam dentro de uma narrativa exasperante que remete aos enlouquecedores desesperos tanto da guerra – numa visão ampla – como dos corações e mentes dos protagonistas – numa visão mais intimista.
Planos, tempos e silêncios amplos potencializam a dramaticidade da ação nesta intrigante coprodução entre França, Argélia e Qatar que chega na plataforma www.cinemavirtual.com.br nesta quinta, 3 de fevereiro.

