“BRÓDER” DÁ FECHO DE OURO À MOSTRA COMPETITIVA DE PAULÍNIA.
A terceira edição do Festival de Paulínia teve nesta quarta-feira (21) um de seus melhores dias. A exibição do documentário “Lixo Extraordinário” foi aplaudida de pé e na sequência a ótima ficção “Bróder” consagrou a estréia do cineasta Jeferson De no longa-metragem.
Antes que as reacionárias patrulhas ideológicas do cinema brasileiro saiam rotulando que “Bróder” é “apenas mais um filme sobre favela e violência”, vale a ressalva: não é. O roteiro, assinado pelo próprio Jeferson e por Newton Cannito, fala de três grandes amigos de infância que trilharam caminhos diferentes na vida adulta: Marcu (Caio Blat), Jaiminiho (Jonathan Haagensen) e Pibe (Silvio Guindane, que também está no elenco de “5 Vezes Favela”). Jaiminho venceu na vida profissional graças ao futebol. Pibe tenta a sobrevivência pelo estudo. E Marcu é o único que permanece na chamada “Comunidade”. Mais precisamente, em Capão Redondo, São Paulo.
Os três rapazes voltam a se encontrar por ocasião do aniversário de Marcu. Um reencontro que acenderá antigas questões e que seguirá por caminhos explosivos Durante o transcorrer do filme, o espectador será brindado com uma direção seguríssima, enquadramentos brilhantes e ótima utilização de trilha sonora que tornam difícil de acreditar que estamos vendo um filme de estreante. Os personagens são fascinantes, multifacetados, bem construídos e otimamente interpretados por um elenco que traz coadjuvantes de alto luxo, como Cássia Kiss, Ailton Graça e Zezé Mota.
Há vários níveis de entendimento e interpretações dentro do filme, que aborda sem panfletarismos questões como racismo e determinismo social. Valerá uma análise mais detalhada por ocasião de sua estréia comercial, que deve acontecer nos próximos meses,
Sem dúvida, Paulínia encerrou sua mostra competitiva em grande estilo.
Celso Sabadin viajou a Paulínia a convite da organização do evento.

