VEM DE PORTUGAL “O PIOR HOMEM DE LONDRES”.

Por Celso Sabadin.

Estreia nesta quinta-feira, 04/09 nos cinemas brasileiros a produção portuguesa “O Pior Homem de Londres”, indicado a 10 prêmios Sophia, o principal do cinema de Portugal.

O roteiro de Eduardo Brito reconstitui aspectos verídicos da vida de Charles Augustus Howell (interpretado por Albano Jerónimo), um polêmico negociador de artes português de origem britânica que se equilibrava perigosamente entre a aristocracia e a criminalidade, no século 19.

Circulando com desenvoltura nos bastidores da elite artística e política de sua época, Charles era frequentemente envolvido em tramas de chantagens, tráfico de influências, falsificações e atitudes das mas mais questionáveis, como exumar um corpo para recuperar um caderno com poesias inéditas que poderia ter valor, se publicadas.

Ele foi também a inspiração do escritor Arthur Conan Doyle para a criação do vilão Charles Augustus Milverton, das histórias de Sherlock Holmes. O epíteto que nomeia o personagem – e o filme – é criação de Doyle.

Com a rigidez formal que costuma acompanhar boa parte da produção cinematográfica portuguesa, “O Pior Homem de Londres” exibe uma apurada qualidade visual em quesitos como direção de arte e fotografia, ao mesmo tempo em que se enfraquece ao estruturar a maior parte de suas tensões e soluções narrativas basicamente através de extensas verbalizações.

Quem dirige

O diretor e produtor de cinema Rodrigo Areias iniciou sua vida profissional como músico e produtor musical na gravadora Garagem e no cinema como designer de som de diretores como Paulo Rocha e Edgar Pêra. Estudou Gestão na Universidade Católica Portuguesa e licenciou-se em Som e Imagem pela Escola das Artes. Especializou-se em Direção Cinematográfica pela Tisch School of Arts da NYU e frequentou o “Programa Eurodoc de Produção” e o “Venice Biennale College”. No início de sua carreira, Rodrigo desenvolveu trabalho criativo em ficção e documentário, videoarte e videoclipes para algumas das melhores bandas da cena rock portuguesa (The Legendary Tiger Man, Wray Gunn, Mão Morta, Sean Riley and the Slow Riders, etc.). Areias dirigiu 8 longas-metragens e vários curtas-metragens premiados em mais de 40 festivais, incluindo Karlovy Vary, com o longa Hay Road. Seu documentário mais recente, Blue Breath, estreou em Locarno no FF First Look e venceu os festivais de Ismailia, Pristina e Kalajoki. Desde 2001 já produziu e coproduziu mais de 150 curtas e longas-metragens.