DOCUMENTÁRIO MOSTRA O “NACIONAL CATOLICISMO” DO GENOCIDA FRANCISCO FRANCO.
Por Celso Sabadin.
Já reparou? Hitler é um assunto que nunca deixou de ser moda. Assustador. Mussolini é um pouco menos midiático, mas ultimamente esteve em alta graças ao sucesso da série do Mubi que leva seu nome. E Franco? Quem? Ele mesmo, Francisco Franco, o equivalente espanhol de Hitler e Mussolini, frequentemente considerado uma espécie de “série B” de ditador, mas que conseguiu se manter no poder por bem mais tempo que seus infames iguais mais famosos.
Um completo, minucioso e empolgante retrato documental de Francisco Franco estreia nesta sexta, 07/11, no canal Curta, e quem curte História não pode perder.
Abarrotada de preciosas imagens de arquivo, a série documental (dois episódios com pouco menos de uma hora cada), “Franco: O Último Inquisidor” cobre a longa trajetória genocida do caudilho desde o início de sua carreira militar até sua morte.
Seus atos criminosos já marcam presença no exército espanhol desde 1925, na guerra de Marrocos, momento em que Franco transforma o massacre indiscriminado dos inimigos em sua marca registrada. Para o gáudio dos colegas de farda.
Seguem-se depois o golpe militar que ele empreende contra a recém-constituída república da Espanha – que descambou para a guerra civil que devastou o país -, as tentativas de alianças com Hitler e Mussolini durante a Segunda Guerra, e as estratégias que desenvolveu para manter-se no poder mesmo depois da destruição do Eixo.
Entre tais estratégias, duas se destacam como as mais eficazes: a aproximação com a igreja católica, e o uso da boa e velha narrativa do “fantasma do comunismo”. Aproveitando-se de atos de vandalismo contra igrejas empreendidos por movimentos anarquistas, Franco rapidamente se apresenta como um ferrenho defensor dos valores cristãos (já vi isso antes), fortalecendo alianças com o clero e posando diante da população como homem de bem (também já vi). A atitude lhe rende forte apoio para o golpe de 1936, que jogará o país num banho de sangue que o consolidará no poder. Não sem antes dar um jeito de “eliminar” dois de seus próprios generais que podiam lhe fazer sombra em seu projeto despótico.
Historiadores dizem que, se Hitler criou o nacional-socialismo, Franco desenvolveu o nacional-catolicismo.
Bem mais tarde, já nos anos 1950, na condição de único líder europeu de extrema direita que poderia fazer frente ao (de novo) avanço comunista, consegue obter o apoio dos EUA, negociando a abertura de seu país para a instalação de bases militares na península ibérica. Isso lhe dá uma sobrevida de um poder que deveria ter sido fragorosamente derrotado em 1945.
No país em que seu líder faz questão de assinar pessoalmente, de próprio punho, todas as ordens de execução contra os comunistas, até o Beatles aparecem para fazer shows e comemorar esta nova “hispanidade” disfarçada de progresso.
Tudo isso sem falar nos depoimentos do documentário. Contrariamente ao que geralmente acontece, aqui as cabeças falantes não são de historiadores e especialistas, mas de sobreviventes e parentes de sobreviventes da Guerra Civil Espanhola. Incluindo o próprio neto de Franco. E como é difícil engolir a triste realidade que um dos maiores ditadores assassinos da História ainda mantém muitos e muitos seguidores e apoiadores..!
Com direção de Serge de Sampigny, “Franco: O Último Inquisidor” é uma produção da Histodoc for France Télévisions & DR – Danish Broadcasting Corporation. O filme pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro TV+ e no site oficial da plataforma (CurtaOn.com.br). A primeira exibição será em 07 de novembro, às 19h. Horários Alternativos: dia 08 de novembro, às 05h e às 17h; dia 09 de novembro, às 23h; dia 10 de novembro, às 13h; dia 11 de novembro, às 07h.

