“MALDITO MODIGLIANI”

Por Celso Sabadin.

A partir do próprio título, já dá para perceber que “Maldito Modigliani” não é um documentário clássico e tradicional sobre o famoso pintor e escultor italiano Amedeo Modigliani.

A pegada aqui é um pouco diferente. A narração que conduz o longa não tem nada daquele enciclopedismo formal que tantas vezes já vimos – e ouvimos – em produções audiovisuais (muitas vezes, mais áudio que visuais) referentes a grandes mestres das artes do passado. Aqui, o texto tenta recompor as palavras que a jovem Jeanne Hébuterne, uma das várias companheiras que o artista teve em sua curta vida, poderia ter dito para e sobre o seu amado. Sim, é muito mais um exercício de imaginação que propriamente um registro histórico, o que não atrapalha em nada a proposta da viagem que o documentário apresenta.

Através das “palavras de Jeanne” (o roteiro na verdade é de Arianna Marelli e da diretora Valeria Parisi), ficamos sabendo não apenas da trajetória do artista – nascido em Livorno e radicado em Paris – como também do ambiente artístico e político de sua época, das tendências das vanguardas do início do século 20, e dos próprios colegas com quem Modigliani conviveu e trocou influências. A linha do tempo não cessa nem após a morte de Modigliani, momento em que o filme entra no sedutor tema das  falsificações altamente especializadas e dos leilões milionários.

Os quase sempre inevitáveis depoimentos de historiadores e especialistas, aliados a imagens que tangenciam a estética publicitária completam o conjunto. Em última análise, o resultado acaba se mostrando bastante atrativo e satisfatório… não fosse pela utilização exacerbada do mal audiovisual do século: a trilha musical incessante, estressante e desnecessária que não dá aos nossos ouvidos nem um minuto de deleite silencioso. Maldita insistência!

“Maldito Modigliani” chega aos cinemas nesta quinta, 13/11.