A DELICIOSA VIAGEM MUSICAL DE “ARY”.

Por Celso Sabadin, de João Pessoa.

Ao apresentar seu longa “Ary”, na noite de abertura do 20º Fest Aruanda do Audiovisual Internacional da Paraíba, o diretor André Weller já deixou bem claro: “Não sou historiador”. Não se trata de um documentário de narrativa clássica. Setenta minutos depois, ao final da projeção, me lembrei das palavras iniciais do realizador e pensei comigo mesmo: “Que bom que ele não é historiador!”.

 

Isto porque “Ary” é bem mais que um documentário. Trata-se de uma deliciosa viagem sensorial pela carreira do seu biografado – o mundialmente consagrado compositor Ary Barroso – estruturada a partir de algumas reconstituições, variadíssimas imagens de arquivo, além de textos do próprio Ary, aqui incorporados na voz de Lima Duarte. Nada dos convencionais depoimentos de familiares e especialistas falando que ele era bom (e precisa falar?), nada daquelas informações burocráticas que a gente acha no google.  Com tal configuração – coisa de cineasta, não de historiador – “Ary” se transforma num painel afetivo-musical de altíssima carga emocional.

 

As imagens de arquivo em profusão são um capítulo a parte, mostrando – entre muitas outras – cenas históricas que remetem a uma época em que o carnaval carioca era pura demonstração popular de espontaneidade, alegria e descontração, anos luz distante do show de marcas, logotipos, barreiras e cordões de isolamento impostos pelas atuais leis de mercado.

Chamam a atenção também momentos do longa “Três Colegas de Batina”, de 1962, produção de Oswaldo Massaini e Watson Macedo com direção de Darcy Evangelista, na qual Ary faz divertidas participações (aliás, dá pra ver o filme, via compartilhamento democrático gratuito de conteúdo audiovisual, em www.youtube.com/watch?v=Fa0WAgR763).

Finalizando, numa felicíssima junção dos deuses do cinema com os do futebol, “Ary” foi exibido exatamente no mesmo instante em que o Flamengo – time do coração tanto do biografado como de seu cinebiógrafo – vencia o Campeonato Brasileiro de Futebol deste 2025. Coisa de cinema.

 

Finalizando 2 – Mais clássico e convencional, mas também de muita qualidade, um outro documentário sobre o mesmo personagem – “Ele Era Assim: Ary Barroso”, de Angela Zoé – está disponível na Globoplay. Um completa o outro.

 

Quem dirige

 

André Weller é diretor premiado pelo Festival É Tudo Verdade e Mostra de Cinema de Tiradentes. É Membro da Academia Brasileira de Cinema, ABC e ABRACI. Como Diretor de Arte, foi indicado ao Prêmio Grande Otelo e ABC. É Curador de Arte e Cultura do Rio Innovation Week e do Novo MIS RJ. Mestre em Design pela PUC-Rio, é Músico com Bacharelado em Piano pela UNIRIO e trabalhos lançados pela Warner e pelo selo francês Buda Musique.

 

Confira a programação completa do 20º. Fest Aruanda em https://www.festaruanda.com.br/.

 

Celso Sabadin viajou a João Pessoa a convite da organização do evento.