“NOUVELLE VAGUE”, UM ÓTIMO PRESENTE DE FIM DE ANO.

Por Celso Sabadin.

O ano vai chegando ao fim com a estreia de um dos filmes mais deliciosos e alto astral da temporada: “Nouvelle Vague”. Bom… pelo menos para o cinéfilo, o longa é uma viagem encantada que talvez não seja compartilhada por quem não é tão cinéfilo assim, mas vale dar uma boa olhada.

“Nouvelle Vague” é a reconstituição ficcional das filmagens de “Acossado”, de Godard, obra seminal do movimento cinematográfico que dá nome ao filme. O roteiro de Holly Gent, Laetitia Masson e Vincent Palmo Jr. começa a contar sua história a partir da aclamação de “Os Incompreendidos” no Festival de Cannes de 1959, pontapé inicial da Nouvelle Vague que catapultou (fazia tempo que eu não usava essa palavra) os jovens jornalistas da revista Cahiers du Cinéma ao estrelato do cinema mundial.

A aclamação de “Os Incompreendidos” motiva ainda mais Godard a realizar seu primeiro longa – exatamente “Acossado” – que por sinal tem argumento de Truffaut. E a partir daí “Nouvelle Vague” mostra a saga desta produção tão revolucionária.

Claro que vários problemas surgirão pelo caminho, mas o filme opta por uma narrativa alegre, livre, leve e solta que exala toda a juventude, irreverência e criatividade daquela efervescente Paris de 1960. Pura nostalgia do bem que em muito contribui para que “Nouvelle Vague” se desenvolva praticamente como uma comédia, embalada pela emocionante fotografia de David Chambille que emula o visual do próprio “Acossado” original.

A escolha do elenco também foi das mais felizes, com destaque para Aubry Dullin, que mesmo sendo estreante em longas tirou de letra a difícil tarefa de interpretar o ícone Jean-Paul Belmondo. Guillaume Marbeck (como Jean-Luc Godard) e Zoey Deutch (como Jean Seberg) também estão ótimos.

Supreendentemente, a direção não é de um francês, mas sim do texano Richard Linklater – nome raramente associado a filmes mais leves – aqui expondo todo seu talento e versatilidade.

Um ótimo presente de fim de ano.