“COPACABANA ME ENGANA”, PORQUE AINDA SOMOS OS MESMOS E VIVEMOS…
Tem grátis no YouTube.
Por Celso Sabadin.
Marquinhos é um jovem imaturo e irresponsável. Pensa em fazer vestibular, mas não tem a menor vontade de estudar. Mora com os pais e não quer trabalhar. Passa seus dias jogando tempo fora com um grupo de amigos tão ou mais irresponsáveis e imaturos como ele. Não entende nada de política, não quer entender e agride quem entende. Ele só não desperdiça boa parte de sua vida nas redes sociais porque Marquinhos é um personagem de um filme de uma época em que elas não existiam. Mas, sim, ele passa horas e horas consumindo outro opioide, a televisão, como um zumbi.
Aposto que no comecinho deste texto muita gente já julgou “…ah, essa Geração Z que não quer nada com nada…”. Puro preconceito. Marquinhos seria um baby boomer. E não há nada tão antigo que as gerações mais velhas julgando negativamente as mais recentes, como se os maduros fossem infalíveis e não tivessem deixado de legado para quem está chegando agora um mundo em irremediável decomposição. Sim, ainda somos os mesmos e vivemos…
Marquinhos (Carlos Mossy) é o protagonista de “Copacabana me Engana”, dirigido, coproduzido e corroteirzado por Antonio Carlos da Fontoura, e lançado em 1968. É a estreia em cinema tanto de Mossy como de Fontoura.
“Copacabana me Engana” se insere numa grande safra mundial de filmes que nos anos 1960 passaram a enfocar o que na época se chamou de “juventude transviada”. São roteiros que buscam retratar ou até mesmo investigar o cenário de torpor vivenciado por milhões de jovens, nos mais diversos países, que se encontravam perdidos entre a herança de uma sociedade destruída e traumatizada por um guerra mundial, e uma explosão revolucionária de juventude que ainda não acontecera. O tédio, o niilismo, o cinismo e o imobilismo de toda esta geração foram algumas das marcas registradas desta safra que inclui importantes obras como “A Doce Vida”, de Fellini; “O Signo de Leão”, de Rohmer; e “Os Cafajestes”, de Ruy Guerra, apenas para citar alguns exemplos. Neste sentido, Marquinhos seria um primo terceiro-mundista de Marcello ou Pierre, ou um quase irmão de Jandir. Respectivamente.
Na época, tentou-se vender “Copacabana me Engana” como uma comédia erótica. Mesmo porque naqueles difíceis anos de ditadura civil-militar-empresarial brasileira, quase todos os filmes eram vendidos como comédia erótica, mesmo se não fossem. “Copacabana me Engana” também não é, encaixando-se muito mais na categoria de crônica urbana da classe média brasileira.
Um verdadeiro retrato histórico que traz em sua equipe técnica nomes como Affonso Beato na Fotografia, Jorge Bodanzky na Câmera e Mário Carneiro na Montagem, e Caetano Veloso na trilha musical.
Tem uma cópia razoável e gratuita em https://www.youtube.com/watch?v=apXDq2t-j90

