“INVASION USA” E A RIDÍCULA PROPAGANDA DA GUERRA FRIA.
Por Celso Sabadin.
Em tempos de potencialização da famosa tara estadunidense por invasões bélicas e violência, foi no mínimo curioso o YouTube ter me sugerido o filme “Invasion USA”, dirigido em 1952 por Alfred E. Green.
Em plena Guerra Fria, “Invasion USA” é uma deslavada propaganda armamentista que não faz questão nenhuma de ser sutil. Tudo começa em um bar novaiorquino onde se encontram alguns fregueses “típicos” estadunidenses. Tentando demonstrar diversidade, tem gente do Arizona, da California, da própria Nova York, uma mulher… mas nenhum negro, evidentemente. A rotina do lugar é quebrada por um jornalista que começa a conversar com os fregueses, alegando estar pesquisando para uma matéria. Ele quer saber se as pessoas são ou não a favor do alistamento compulsório da população civil para esforços de guerra. Nota: a rigor, ninguém está em guerra por ali.
Os frequentadores do bar animadamente passam a conversar sobre o tema, e a opinião geral – praticamente unânime – é de que o Estado deve deixar a população em paz. Só faltou alguém falar que “o mercado se regula sozinho”, mas foi quase. Um empresário fabricante de tratores chegou a dizer que colocou um oficial do exército estadunidense pra fora de sua fábrica porque ele insistia que o lugar deveria fabricar tanques de guerra.
Tudo vai bem até que a televisão do bar anuncia: os EUA estão sendo covardemente invadidos. Sem aviso, e avassaladoramente, com várias bombas atômicas. A resistência estadunidense é incapaz de conter os comunistas (sim, fica explícito que são comunistas, embora o comando se vista igual aos nazistas da Segunda Guerra) porque o país não está bélica e militarmente preparado. Inclusive o herói do filme tenta se alistar no Exército, depois na Aeronáutica, e depois na Marinha, mas é rejeitado em todas as oportunidades porque não há armas suficientes pra tanta gente que – patrioticamente – resolveu se alistar.
A maior parte de “Invasion USA” mostra a força destrutiva dos ataques. Como se trata de uma produção de baixo orçamento, a narrativa adotada foi a de deixar a boa e velha televisão cuidar de tudo, com seus repórteres relatando a inapelável violência dos bombardeios inimigos (tudo feito com documentários e materiais de arquivo, claro).
A mensagem é a mais clara possível: ferrou! E ferrou porque os EUA estavam despreparados, desarmados, e infestados de espiões comunistas infiltrados por todo o país. Ainda bem que é um filme, mas o recado é bem real: é preciso investir muito mais em armas. Apoiem o Congresso para esta liberação de verbas! E caso você ainda não tenha entendido, o filme termina com uma citação atribuída a George Washington, que teria dito que o melhor caminho para a paz é estar sempre preparado para a guerra.
Pior, só se tivessem feito um remake dessa tristeza. Ah, e fizeram. Não apenas um, mas dois: o primeiro se chamou Amanhecer Violento, dirigido por John Milius, e com Patrick Swayze e Charlie Sheen no elenco. E o segundo, com o mesmo título do original, teve direção de Joseph e Chuck Norris (antes de virar meme) no papel principal. Ambos foram produzidos nos anos 1980, óbvio, em plena era Reagan de truculência, militarismo, neoliberalismo econômico e endeusamento da justiça com as próprias mãos.
Incrível como a História é cíclica!
Tem uma cópia boa, com legendas em português, em youtube.com/watch?v=-pXcOCi4I4o

