“PACIFIC” E “O SARCÓFAGO” SÃO ESCOLHIDOS MELHOR LONGA E MELHOR CURTA-METRAGEM DO CINEESQUEMANOVO 2011

O CineEsquemaNovo 2011 – Festival de Cinema de Porto Alegre anunciou na noite deste sábado, 30 de abril, os vencedores da sua sétima edição. O melhor longa-metragem escolhido pelo júri de premiação é o filme “Pacific” (PE), de Marcelo Pedroso, e o vencedor entre os curtas e médias é “O Sarcófago” (BA), (foto)de Daniel Lisboa. Também receberam prêmios os longas “Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha” (SP), de Helena Ignez e Ícaro Martins (melhor direção); “Chantal Akerman, de Cá” (RJ), de Gustavo Beck e Leonardo Luiz Ferreira (troféu melhor dispositivo) e “Álbum de Família” (BA), de Wallace Nogueira, que recebeu o prêmio especial do júri. Entre os curtas, além de “O Sarcófago”, foram premiados também “As Corujas” (CE), de Fred Benevides; “My Way” (PE), de Camilo Cavalcante, e “Raimundo dos Queijos” (CE), de Victor Furtado.

O prêmio da nova crítica, oferecido pelos participantes da oficina de crítica cinematográfica realizada durante o CEN 2011, foi dado ao filme “Ex Isto”, de Cao Guimarães, enquanto os filmes escolhidos pelo júri popular foram “Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo” (RS), de Rodrigo John (melhor curta) e “Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha” (melhor longa).

O CineEsquemaNovo reuniu em Porto Alegre quase 70 convidados, entre realizadores, artistas, curadores, produtores e pesquisadores do Brasil e do exterior, que durante uma semana transformaram a capital gaúcha num local de reflexão e pensamento a respeito da produção audiovisual contemporânea. Foram exibidos cerca de 80 filmes, 39 nas Mostras competitivas de curtas e longas-metragens e os demais na mostra internacional ou como filmes convidados. O CEN também trouxe à cidade duas importantes exposições de artes visuais e promoveu eventos como uma sessão Drive In e lançamentos de livros sobre cinema, uma programação em que todos as atividades convergiram para o tema central do festival neste ano, o cruzamento entre o cinema e as artes visuais.

Confira abaixo a lista de vencedores da sétima edição do CineEsquemaNovo com as respectivas justificativas para os prêmios.

LONGAS METRAGENS
(júri: Bruno Vianna, Júlia Rebouças e Roger Lerina)

Melhor filme: “Pacific”, de Marcelo Pedroso (PE)
Justificativa: Uma aposta arriscada: orquestrar uma polifonia de narrativas de personagens que não sabem que estão criando uma ficção de si mesmos. Ou sabem? Pacific mergulha na ambigüidade e emerge com um retrato múltiplo que propõe uma nova forma de documentário e, para além disso, trata os personagens com dignidade.

Prêmio especial do júri: “Álbum de Família”, de Wallace Nogueira (BA)
Justificativa: O mote evolui e amadurece no desenrolar do próprio filme. A utilização inteligente e sensível da luz e da montagem conduzem o espectador com interesse crescente pelo desenrolar da história. O desfecho roça perigosamente o sentimental, mas o tom crepuscular mantém até o fim a narrativa a palo seco.

Melhor direção: para Helena Ignez e Ícaro Martins, de “Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha” (SP)
Justificativa: O risco de novo: totem do cinema brasileiro, “O Bandido da Luz Vermelha” é revisitado com frescor e despudor graças à mise-en-scene afiada, que extrai do elenco uma atuação com sangue, ritmo e entrega.

Troféu melhor dispositivo: “Chantal Akerman, de Cá”, de Gustavo Beck e Leonardo Luiz Ferreira (RJ)
Justificativa: Opção estética que respeita e remete à personagem, o documentário expõe suas entranhas com franqueza ao espectador. Em vez de fragilizar-se, porém, o filme cresce ao incorporar suas insuficiências – e ecoa o próprio desvelamento de Chantal, humanamente imperfeita diante do dispositivo rigoroso.

CURTAS E MÉDIAS-METRAGENS
(júri: António Manuel Câmara, Leo Felipe e William Hinestrosa)

Melhor filme: “O Sarcófago”, de Daniel Lisboa (BA)
Muito mais que um registro sobre a atividade artística, “O Sarcófago” é uma imersão no universo enigmático de Jayme Fygura. Não há espaço para didatismo. Montagem expressiva, ritmo e matéria. Um filme sobre a arte.

Prêmios livres:
“As Corujas”, de Fred Benevides (CE)
Uma experiência audiovisual plena. As Corujas perturbam a morte e a literatura também está no jogo.

“My Way”, de Camilo Cavalcante (PE)
Tristeza e solidão como condutoras de uma narrativa que sai das ruas de um carnaval e atinge verdadeiros outros sentimentos. É bom quando o cinema faz tocar.

“Raimundo dos Queijos”, de Victor Furtado (CE)
O duplo olhar do espectador e da câmera constrói uma dialética com humor e leveza. Victor Furtado, diretor e personagem, nos mostra em Raimundo dos Queijos não somente um ambiente familiar urbano de domingo, mas sobretudo um retrato brasileiro.

Filme vencedor do prêmio da crítica: “Ex Isto” de Cao Guimarães (MG)
Pela reinvenção de uma obra literária na linguagem do cinema por meio de um projeto consistente em suas concepções narrativa e visual.

Melhor filme de longa metragem escolhido pelo júri popular: “Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha”, de Helena Ignez e Ícaro Martins (SP)
Melhor filme de curta ou média metragem escolhido pelo júri popular: “Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo”, de Rodrigo John (RS).