TIRADENTES 2012: EMOÇÕES EM PRETO E BRANCO MARCAM “AS HORAS VULGARES”.

O primeiro filme de ficção da Mostra Aurora, dentro da 15ª. Mostra de Cinema de Tiradentes, teve boa receptividade na noite desta 3ª feira (24/01). Dirigido, roteirizado e produzido por Rodrigo de Oliveira e Vitor Graize, o longa capixaba “As Horas Vulgares” narra poeticamente um momento muito especial na vida de um grupo de amigos. São tristezas, depressões e inseguranças que se desencadeiam a partir da viagem de Clara, uma garota do grupo que suscitava simultaneamente as paixões de Theo e Lauro. Gravado em HD, com uma bela fotografia em preto e branco, “As Horas Vulgares” carrega uma visível influência da Nouvelle Vague francesa, com seus longos diálogos e intrincadas “discussões das relações”.

Não oferece digestão fácil, como aliás é marca registrada dos filmes que competem na Mostra de Tiradentes, mas o espectador que se dispuser a enfrentar de coração aberto seus 123 minutos de projeção (e as cadeiras nem sempre confortáveis do Cine Tenda) será brindado com um sensível painel daquilo que o filme classifica como “geração escondida”.

É marcante e emocionante a afetividade entre os personagens, que se perdem pela noite, pelos sentimentos, e buscam na expressão artística o escoadouro de sensações confusas que muitas vezes são maiores que as suas próprias capacidades de lidar com elas.

A apresentação do filme, no palco do Festival, também foi marcada pela emoção. Seus diretores ofereceram a projeção às suas famílias, ali presentes, e Rodrigo de Oliveira, ex-crítico de cinema, praticamente chegou às lagrimas pela emoção de ver este seu primeiro longa chegando às telas. Ou, pelo menos, à tela do Cine Tenda, já que distribuir filmes de viés artístico como “As Horas Vulgares” não é tarefa fácil dentro do nosso mercado.

O filme da Mostra Aurora programado para a noite de hoje (25/01) é o paulista “Corpo Presente”, de Marcelo Toledo e Paulo Gregori.

Celso Sabadin viajou a convite da organização do Festival.