TIRADENTES 2013: O ENCONTRO DO CINEMA COM SEU PÚBLICO É A MAIOR EMOÇÃO DO FESTIVAL ATÉ AGORA.

“Olha o pai da Lena lá!”. “Olha o seu Joaquim!”. As interjeições eram constantes. O espanto era fascinante. Imagens fantasmagóricas e borradas saltavam da tela, vindas diretamente de um tempo passado. Um tempo em que as pessoas e as coisas eram todas em preto e branco.

A exibição do filme “Proezas de Satanás Na Vila de Leva-E-Traz”, pelo menos até o momento, pelo menos para mim, foi a mais emocionante desta 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Primeiro longa dirigido por Paulo Gil Soares, “Proezas de Satanás Na Vila de Leva-E-Traz” foi rodado inteiramente aqui em Tiradentes, em 1967. E para esta exibição especial, foram convidadas algumas dezenas de moradores da cidade, gente que participou do filme como figurante, crianças, idosos. A grande maioria nunca havia entrado numa sala de cinema.

Não importava a precariedade da antiga cópia desbotada; não importava a sala totalmente lotada; não importava sentar no chão. Importava, sim, transformar o Teatro Yves Alves em máquina do tempo, e embarcar nesta viagem histórica – com o perdão do lugar comum – através da magia do cinema.

E poucas vezes o cinema foi tão mágico como nesta exibição de ontem. Imagine: entrar pela primeira vez na vida numa sessão de cinema e lá ver não apenas a sua cidade há meio século, como também seus entes queridos bruxuleando numa tela branca. E mais: na história, o padre abandona o vilarejo, leva consigo a imagem da santa protetora, e abre espaço para que o capeta tome conta de tudo.

Ao final da sessão (que alguém espirituosamente classificou de “interativa”), uma senhora visivelmente emocionada diz: “Reconheci todo mundo Só não encontrei minha mãe”.

Me digam por favor o quê, fora o cinema, pode proporcionar este tipo de emoção?