TIRADENTES 2013: SHOW DE IMAGENS E DIREÇÃO EM “LINZ – QUANDO TODOS OS ACIDENTES ACONTECEM”.

O público presente ontem (25/01) na 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes foi brindado com um show de belíssimas imagens: a produção cearense “Linz – Quando Todos os Acidentes Acontecem”, encheu os olhos da plateia com luzes, estrelas, areia e água.

O tema do homem perdido diante da imensidão da natureza traiçoeira não é exatamente uma novidade, mas a segurança e a maturidade da direção de Alexandre Veras, aliadas à belíssima fotografia, são suficientes para posicionar “Linz” entre os melhores desta edição da Mostra que, diga-se, tem apresentado alguns graves equívocos de seleção de filmes.

Motorista de uma transportadora, Linz é incumbido de levar alguns móveis e uma carta para uma senhora que mora num lugar distante, perdido entre dunas de areia. Ao chegar ao seu destino, porém, ele logo se vê envolvido por uma série de contratempos que o tirarão de seu caminho… mas o lançarão em outros.

O filme explora quase hipnoticamente, e com muita precisão técnica, grandes planos, angulações e silêncios. Há dois momentos que já podem ser considerados antológicos: Linz e um garoto caminhando pela noite, brincado com suas lanternas, e o belíssimo plano final, onde o reflexo das estrelas se confunde com o céu, se funde com o mar, e se caminha para o sol.

Me lembrei muito de Carlão Reichembach, que em alguns festivais costumava escolher o melhor plano dentro de um filme para lhe oferecer um “Prêmio Panda”. E por que Panda? Porque os pandas, assim como os grandes planos do cinema, também estão em extinção, dizia Carlão.

Celso Sabadin viajou a Tiradentes a convite da organização do evento.