FESTIVAL DE CINEMA BRASILEIRO EM PARIS HOMENAGEIA CACÁ DIEGUES.
Levar o cinema do Brasil para o público francês e divulgar a cinematografia do país no exterior. Esse é o objetivo do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, que chega à sua 15ª edição. Este ano, o evento, que acontece entre os dias 16 e 23 de abril, está de volta à renomada sala de cinema de Paris, L’Arlequin, conhecida por exibir produções de prestígio na cidade. A sala vai abrigar uma mostra competitiva com sete filmes brasileiros, como “A Busca”, que estreou recentemente nos cinemas brasileiros, e “Colegas”. Na abertura, o público poderá assistir “Gonzaga – de Pai para Filho”, de Breno Silveira, que estará em Paris apresentando o longa.
“É realmente uma enorme emoção voltar para a sala L’Arlequin, onde durante sete anos tivemos a honra de receber personalidades do cinema brasileiro, como Fernanda Montenegro, Paulo José, Marieta Severo, José Wilker e muitos outros. Em Paris, o L’Arlequin é nosso Odeon, templo do cinema independente.”, comenta Katia Adler, curadora do festival.
Idealizado por Katia Adler e realizado por meio da ONG Jangada, o festival homenageia Cacá Diegues e exibe ainda um tributo ao cineasta, que marca presença no evento. A mostra de longas de Cacá reúne trabalhos da década de 60, como “Ganga Zumba”, “A Grande Cidade” e “Herdeiros”, até filmes produzidos nos anos 2000, como “Deus é Brasileiro” e o “Maior amor do mundo”. “Veja Essa Canção”, “Xica da Silva” “Tieta do Agreste” e “Joana Francesa” fecham a lista dos filmes exibidos em sua homenagem.
Entre os destaques de 2013, o festival conta com dois lançamentos mundiais. No dia 19 de abril, “Histórias de Arcanjo”, que tem direção de Bruno Quintella e Guilherme Azevedo, terá estreia mundial. O documentário narra a vida do jornalista investigativo Tim Lopes, a partir de depoimentos de colegas de redação, personagens de matérias e amigos que ajudaram Quintella, filho do jornalista, a traçar a trajetória de Tim, assassinado por uma facção criminosa do Rio, em 2002.
Outro lançamento mundial é “Viramundo”, dirigido por Pierre-Yves Borgeaud, que acompanha uma turnê do cantor Gilberto Gil pelo hemisfério sul, com passagens pela Austrália, África e Brasil. A exibição acontece dia 23 de abril, no último dia do festival, e contará com a presença de Gil.
Já “Juan e a Bailarina”, dirigido por Raphael Aguinaga, ganha sua primeira exibição internacional no dia 21 de abril, seguida de debate com Aguinaga, a atriz Marilú Marini, e com a equipe do longa: Tito Liberato, Justine Otondo e Marcos de Oliveira. “Juan e a Bailarina” é uma coprodução entre Brasil, Argentina e França e conta as aventuras de um grupo bastante eclético de idosos, confinados num asilo, que fica sabendo que a Igreja Católica clonou Jesus. A descoberta acontece exatamente no mesmo momento em que a rotina do local vira de pernas pro ar por conta das férias e da ausência de um mês da enfermeira que cuida deles.
Ainda no encerramento, dia 23, o público assiste ao documentário “Hélio Oiticica”, dirigido por Cesar Oiticica Filho, que narra a trajetória e conta quem foi o artista. Produzido pela Guerrilha Filmes, a obra traz extenso material inédito sobre sua vida, com entrevistas e depoimentos.
Festival terá filmes em competição e programação para o público jovem
Sete filmes estarão em competição na 15ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, que vai julgar, por meio de voto popular, longas brasileiros produzidos entre 2011 e 2012. “A Floresta de Jonathas”, primeiro longa-metragem feito no Amazonas, dirigido por Sérgio Andrade, entra na disputa pelo prêmio de melhor filme concorrendo com “Era uma vez eu, Verônica”, de Marcelo Gomes; “A Busca”, de Luciano Moura, e estrelado por Wagner Moura; além de “Disparos”, de Juliana Reis, e “Colegas”, de Márcio Galvão. “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho, e “Juan e a Bailarina” fecham a lista dos filmes concorrentes. Kleber Mendonça Filho e Juliana Reis estarão presentes no festival.
O público jovem ganha uma programação especial para sua faixa etária. Além de “Colegas”, “Tainá 3 – A Origem” e o premiado “O Palhaço”, que conta com Selton Mello na direção e no elenco, são outras opções.
Filme de Maria de Medeiros integra grade de documentários do festival
A atriz e cineasta portuguesa Maria de Medeiros é uma das confirmadas para prestigiar o festival e a exibição do seu filme “Repare Bem”, no dia 22. A produção narra a história de uma família separada pelas ditaduras brasileira e chilena e recompensada com a Anistia e reparação do Brasil. A produção é de 2012.
“As Hiper Mulheres”, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro, “Margaret Mee e a Flor da Lua”, de Malu de Martino, e “Tropicália”, de Marcelo Machado, completam a grade de filmes documentários do evento.
Exposição sobre Rio com fotos de Marc Ferrez completa programação
Uma exposição com 18 fotos de Marc Ferrez, conhecido por seu acervo sobre o Rio de Janeiro, chegará a Paris no dia 17 de abril e fica na cidade até dia 1º de maio. Alocada no Cloître des Billettes, a mostra traz imagens que retratam diversos pontos do Rio de Janeiro do passado. Segundo Katia Adler, a exposição tem como meta dar aos franceses a oportunidade de conhecer o passado do Rio. Entre as fotos, estarão expostas imagens do Corcovado e do Pão de Açúcar visto de Niterói, datadas de 1886 e 1890, respectivamente. Na sua opinião, será uma oportunidade para que os franceses que conhecem bem o Rio atual tenham um panorama do Rio antigo.
O Festival
Há 15 anos, o Festival de Cinema Brasileiro de Paris funciona como uma vitrine do cinema nacional ao exibir recentes e antigas produções – entre documentários e ficções – para o público francês. Muitos filmes estreiam mundialmente no festival, que funciona ainda como um espaço para negociação da produção brasileira no exterior. Entre os títulos vendidos após o festival estão “Policarpo Quaresma”, de Paulo Thiago, e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Bruno Barreto.
Além do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, a ONG Jangada, presidida por Katia Adler, realiza dois festivais internacionais no Canadá: em Toronto (Brazil Film Festival) e em Montreal (Festival du Film Brésilien de Montreal). Esse ano, os dois festivais completam a sexta edição. Em 2011, a ONG Jangada realizou ainda o 1st Latin American Cultural Festival no Catar, em Doha.
Katia Adler é também cineasta, tendo dirigido filmes como: “Carnaval em Paris”, documentário sobre o desfile de Carnaval de Joazinho Trinta em Paris durante a Copa em 98 (1998); “Succoth, a festa da Cabana” , documentário para TV Francesa FR3 sobre a festa de Soucot em Israel. (1996); “Sem cor”, ficção sobre um menino que vende limão nos sinais do Rio de Janeiro (1991), e “A arte de ser um cientista”, documentário sobre Haity Moussatche. Como produtora, Adler foi responsável por “Só dez por cento é mentira”, documentário sobre Manoel de Barros (2009).

