CINE PE 2013: DOCUMENTÁRIO POLÍTICO E COMÉDIA RASGADA FAZEM A SEGUNDA NOITE DO FESTIVAL.

Dois longas diametralmente opostos entre si deram continuidade na noite de ontem (27) à 17ª edição do CinePE, o Festival de Cinema de Pernambuco: “Orgulho de Ser Brasileiro”, de Adalberto Piotto, e “Vendo ou Alugo”, de Betse de Paula.

Produzido em São Paulo, o documentário “Orgulho de Ser Brasileiro” investiga a conhecida e enigmática questão do nosso tão propalado orgulho nacional. Ele realmente existe? Ou o brasileiro seria campeão mundial em denegrir a si próprio? O país só se une através do futebol? Ou temos qualidades que nenhuma outra nação tem? Estas e outras questões são propostas pelo diretor Adalberto Piotto a 16 renomadas personalidades brasileiras. Entre elas Gerald Thomas, Adib Jatene, Fernando Henrique Cardoso etc. Piotto leva para o filme toda a sua experiência de 21 anos de jornalismo com o objetivo de iniciar uma discussão sobre os futuros caminhos do Brasil. “Se o gigante adormecido acordou, agora acabou o recreio. O país precisa se decidir para onde vai”, afirma Piotto.

Se o documentário paulista propõe seriedade, a ficção carioca “Vendo ou Alugo” vem com o claro objetivo de fazer rir. A trama fala de quatro gerações de mulheres, todas morando juntas numa decadente mansão no Rio de Janeiro. Atoladas em dívidas, a única saída para aquela família seria vender a casa. Mas quem está disposto a comprar um casarão ao lado de uma favela, onde o som das balas perdidas e dos helicópteros da polícia são uma constante? A resposta pode estar num pastor evangélico ou num exótico turista belga.

Com direção de Betse de Paula, “Vendo ou Alugo” se insere totalmente na atual tendência do cinema brasileiro (principalmente do cinema carioca) de produzir comédias rasgadas de forte apelo popular. Temos aqui bem marcado o DNA das antigas chanchadas, com seu humor histriônico, personagens estilizados, tons de voz sempre uma oitava acima e as situações típicas das chamadas comédias de erros. Tangencialmente, o filme ensaia uma crítica a uma sociedade decadente, de um Rio de Janeiro aristocrata que não existe mais, e que abriu seu outrora impenetrável espaço para favelados, policiais e para a “nova classe C”. Como diz uma das personagens, “Onde já se viu, empregada sócia de patroa?”.
O bom elenco tem Marieta Severo (também homenageada na noite de ontem com um troféu comemorativo por sua carreira), Nathália Timberg e Marcos Palmeira, entre outros.

Na noite de hoje, tomo a liberdade de trocar minha posição de jornalista pela de cineasta, e estrearei aqui no Festival meu primeiro longa metragem: “Mazzaropi”. A expectativa é grande. Pelo menos a minha…

Celso Sabadin viajou a Recife a convite da organização do evento.