HERMANO PENNA: “AOS VENTOS QUE VIRÃO” BUSCA DIÁLOGO COM UM NOVO NORDESTE.
Diretor e parte do elenco de “Aos Ventos que Virão” conversaram na tarde de hoje (02/05) com a imprensa presente no 17º Cine PE. Hermano Penna, diretor e roteirista do filme, ao lado da atriz Emanuelle Araújo, e dos atores Rui Ricardo Diaz e Orlando Vieira, falaram sobre o filme que integra a Mostra Competitiva do evento.
Hermano diz que “Aos Ventos que Virão” busca “um diálogo meu com o nordeste, com o sertão que eu conheci. Achava que a cinematografia brasileira tinha lidado até então apenas com um sertão arcaico, de cangaceiros e fanáticos, e eu queria trabalhar com um sertão que ainda não havia sido focado pela cinematografia brasileira”.
O diretor diz que o filme tenta reproduzir “o sertão da minha infância”. E explica: “Eu nasci no Crato, Ceará, mas sou um menino de cidade; nasci numa fazenda da família que eu ia passar férias, mas a minha formação é urbana. Não queria mostrar nem o nordeste arcaico, nem o nordeste contemporâneo que vem sendo enfocado nestas novas obras contemporâneas maravilhosas que estão sendo feitas do nordeste. Havia um nordeste a ser mostrado, um intermezzo entre o rural e o urbano, e esta foi a minha intenção”.
Pena revela que a respeito disso fez até uma pequena “brincadeira” com o filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, segundo ele, “a maior obra primeira do cinema brasileiro”. A referência está numa cena onde o personagem vivido por Orlando Vieira diz: “Faz muito tempo que Deus e o diabo não têm nada mais a ver com isso.” Trata-se de uma sinalização que “Aos Ventos que Virão” falará de um outro sertão.
Contando a saga de um ex-cangaceiro (vivido por Rui Ricardo Diaz) que foge do nordeste para tentar a vida na cidade grande, “Aos Ventos que Virão” traz Emanuelle Araújo no papel feminino principal: “Minha maior inspiração para compor o personagem foram o contexto e a história do filme. A poesia que Hermano passava em cada palavra que ele escolhia para falar sobre este filme foi determinante”, afirma. Relembrando suas próprias raízes, Emanuelle afirma que “Aos Ventos…” “tem muito da minha história, tem muito das mulheres mais velhas da minha família, mulheres de belezas muito particulares que tinham a ver com a exuberância do sertão, e eu tentei resgatar isto. Me seduz muito a força e a sensibilidade da mulher do sertão, e isso me comove muito” finaliza.
Ainda durante a coletiva, a jornalista Maria do Rosário Caetano disse que “o tema principal da obra é o ciclo da vingança: o filme abre e fecha com sangue”.
Já o crítico Luiz Zanin analisou: “O filme se vale do sertão, à maneira cinemanovista, e também se ocupa do encontro do sertão com a urbe, com a cidade, que é um palco de desenvolvimento, mas também de divisões e preconceitos”.
Hermano encerra dizendo que “para mim, o importante é a história que eu quero contar. O filme vai determinando a forma. “Aos Ventos que Virão” pra mim marca um ciclo dentro do meu cinema. Vou continuar a fazer filmes, mas não sei para onde este meu cinema vai. O cinema pra mim é algo que abre novas possibilidades todos os dias. Gostaria de fazer talvez um filme urbano, coisa que eu nunca fiz, para a cidade de São Paulo, que me acolhe há 35 anos. É o momento de pensar para onde vai o meu cinema e o que eu quero com ele, pois com “Aos Ventos que Virão” saldei minha conta com o Cinema Novo”, finaliza.

