ATOR E DIRETOR ARGENTINO ENCARNA PERÓN (E O PERONISMO) EM “PUERTA DE HIERRO”.

Puerta de Hierro – El Exilio de Perón (2012) – Argentina

Em 1996, o veterano ator portenho Victor Laplace interpretou o presidente Perón no drama “Eva Perón”. Deve ter gostado. Tanto que agora Laplace não só vive novamente o personagem, como também coescreve, codirige a até canta um belo tango final em “Puerta de Hierro – El Exílio de Perón”, primeiro filme latino exibido na mostra competitiva do 41º Festival de Cinema de Gramado.

Codirigido por Dieguillo Fernández, “Puerta de Hierro” narra os anos de exílio de Juan Domingo Perón na Espanha, e sua obsessão por retornar à Argentina, após ser destituído do poder, em 1955. Ao apresentar seu filme no palco do Festival, Laplace deixa transparecer claramente sua simpatia pelo personagem biografado, mas também esclarece que o ex-líder argentino está longe de ser uma unanimidade, mesmo em seu próprio país.

O filme começa causando um certo sentimento refratário no público cinéfilo, ao flertar abertamente como uma certa estética televisiva que remete às formulações cansadas das minisséries sobre personagens históricos. Porém, aos poucos vai ganhando personalidade própria, e em alguns minutos já nos sentimos envolvidos com o protagonista que, obviamente, é pintado apenas com cores favoráveis pelo seu codiretor, coautor e intérprete.
Se não chega a ser empolgante como filme, tem o mérito de jogar algumas luzes, e provocar dúvidas e curiosidades
sobre uma figura histórico-política geograficamente tão próxima de nós, e ao mesmo tempo tão pouco analisada no nosso contexto latinoamericano.

Ao final da projeção, contrapondo-se à frieza do clima do lado de fora e também da própria plateia, Laplace vai ele próprio à frente da tela, antes mesmo de terminarem os créditos finais, e aplaude efusivamente o seu filme, servindo como claque de si mesmo e simpaticamente se colocando à disposição de todos para conversar sobre sua obra.
Coautor, codiretor, intérprete, cantador de tango… e esperto no trato com o povo, este simpático Laplace.