DOCUMENTÁRIO SOBRE PLÍNIO MARCOS TEM EXIBIÇÕES NA MOSTRA PAULISTA.

O atual boom de documentários brasileiros vem servindo, e muito, para mudar irreversivelmente aquela velha história de que somos um país sem memória. Cada vez mais a nossa produção audiovisual mapeia grandes nomes do nosso cenário artístico, cultural e até político. Agora chegou a vez – muito merecida, por sinal – de Plínio Marcos ganhar seu documentário. Trata-se de “Nas Quebradas do Mundaréu – A Viagem de Plínio Marcos”, roteirizado e dirigido por Julio Calasso.

Quem conhece a trajetória de Calasso sabe que não se deve esperar dele um documentário convencional. O diretor, ator e produtor paulistano iniciou sua carreira no emblemático ano de 1964, nos Teatros Oficina e Arena. Foi assistente de Geraldo Sarno em “Viramundo” e trabalhou na produção de “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla. Escreveu, produziu e dirigiu “Longo Caminho da Morte”, de 1974, barrado pela censura. É ainda o idealizador de mostras alternativas e itinerantes como Cinema de Invenção, Cinema Negro e Cine Teatro Brasil.

Durante quase 10 anos, de 1998 a 2007, Julio Calasso produziu, dirigiu e capturou em Mini DV diversos espetáculos teatrais que resultaram em quatro documentários para TV e finalmente neste longa “Nas Quebradas do Mundaréu”. Não por acaso, o filme impressiona pela intensa pesquisa de suas imagens. Muito mais do que fazer aquilo que chamo de “Googlomentário” (um documentário que mostra o que já está no Google), “Nas Quebradas do Mundaréu” permite ao espectador menos familiarizado com a obra de Plínio Marcos um intenso mergulho no universo do famoso dramaturgo santista. O filme compara montagens de suas peças, contrapõe estilos, provoca, e acaba se constituindo num amplo painel autoral que poderia – deveria – servir de base para escolas de artes cênicas e de audiovisual.

“Comecei a costurar esta história em 1999, capturando em mini DV montagens antológicas de um ousado grupo teatral no Rio de Janeiro, em homenagem ao Plínio recém-falecido”, explica o diretor. “Continuei em 2007 no Carnaval Santista e em 2008, em espetáculos no TUSP, ainda sem ter um projeto, uma rota segura. Num caldeirão, misturei parceiros de vida e obra, acrescentei condimentos de nossa música, nossos filmes, nossas imagens, nossa atitude, gestos e articulações que são mais importantes, para o documentário, que as conhecidas denúncias ao regime militar. Diálogo, choque e interrogações compõem nosso espetáculo”, conta.

O diretor explica que o filme foi totalmente concebido e realizado “em casa”, durante três anos, a partir de uma miscelânea de 85 horas de imagens captadas das mais variadas origens, fontes, formatos e suportes. Foram 11 espetáculos e representações diversas de textos e poemas, 14 filmes adaptados ou não da obra de Plínio, 20 canções, além de depoimentos e entrevistas. Entre os depoentes, com seus olhares direcionados diretamente para a câmera e, consequentemente, para o público, estão Tônia Carreiro, Rogério Sganzerla, Geraldo Sarno, Neville D´Almeida, José Joffily, Carlos Cortez, Braz Chediak, Cláudio e Sergio Mamberti, Andrea Tonacci, Itamar Assumpção e muitos outros.

O diretor, que foi amigo e parceiro de Plínio Marcos, conta que ambos chegaram aproximadamente na mesma época no Teatro de Arena. “Ele de Santos, eu do Oficina. De cara, brigamos. Nenhum de nós nunca foi flor que se cheire”. Definir Plínio Marcos? “Radical, dissonante, insubordinado, ranzinza, espalhafatoso, tímido, briguento, gozador, generoso, esse era o cara, malagueta pura, ardida e tempero dos deuses”, conclui Calasso.

Inquieto e transgressor, com certeza Plínio aprovaria seu documentário.

Veja o Trailer em: http://vimeo.com/75840451

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Exibições de “Nas Quebradas do Mundaréu – A Viagem de Plínio Marcos” na 37ª. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo:

23/10/2013, (Quarta-Feira), 20h10, Sessão 452 – Espaço Itaú de cinema – Rua Frei Caneca, 569.

25/10/2013, (Sexta-feira), 19h00, Sessão 710 – CCSP Sala Lima Barreto – Rua Vergueiro 1.000.

31/10/2013, (Quinta-feira), 15h30, Sessão 1244 – Matilha Cultural – Rua Rego Freitas, 542.