CINUSP FAZ GRANDE MOSTRA GRATUITA DE CINE BRASILEIRO, INCLUINDO INÉDITOS.
Chegando em 2014 à sua terceira edição, a mostra NOVÍSSIMO CINEMA BRASILEIRO novamente busca oferecer ao público do CINUSP Paulo Emílio a chance de se atualizar em relação à produção cinematográfica nacional mais recente, mantendo seus objetivos de fomentar discussões em torno do cinema brasileiro e de suas tendências contemporâneas em primeira mão. A programação oferece um panorama não exaustivo dos filmes nacionais lançados a partir de 2013, com ênfase na produção que mais se afasta dos padrões e gêneros consagrados pelo grande circuito comercial, destacando filmes que podem ter ficado pouco tempo em cartaz, ou mesmo que ainda permanecem inéditos nos cinemas, mas cujas contribuições culturais e estéticas se mostram relevantes no contexto atual. A seleção dos vinte títulos exibidos, ainda que novamente ateste a diversidade da produção cinematográfica brasileira recente, aproximando obras de perfil mais autoral (como O Exercício do Caos, Exilados do Vulcão, Educação Sentimental, Doce Amianto e Boa Sorte, Meu Amor) de outras mais claramente direcionadas ao “grande público” (como Serra Pelada, Cine Holliúdy, Gonzaga: De Pai pra Filho e Somos Tão Jovens), de gêneros tão diversos quanto a cinebiografia, a comédia, o documentário (A Alma da Gente, Outro Sertão, Mataram Meu Irmão), o drama (Tatuagem, De Menor, Entre Vales, Jardim Europa), a animação (O Menino e o Mundo), o suspense (O Lobo Atrás da Porta) e o terror (Mar Negro, Quando Eu Era Vivo), permite que se aponte alguns elementos, particularmente temáticos, comuns a todos.
Em meio a essa pluralidade de gêneros e abordagens que marcam os filmes selecionados pela curadoria, sobressai na análise do conjunto a preferência de muitos cineastas por situar temporalmente suas narrativas, total ou parcialmente, em um tempo que não é o da realização fílmica. Quase todos os filmes aqui reunidos carregam em suas narrativas uma intrínseca relação com o passado ou com um tempo outro que, sem definir-se como novo ou velho, expõe a complexidade da questão contemporânea.
Esse recorte revela-se interessante principalmente quando se compara a produção atual com aquela de uma época já muito estudada do cinema brasileiro, a da geração dos anos 1960 e 70. Inspirado pela renovação estética promovida desde o Neorrealismo Italiano, o nosso dito “cinema moderno” teve como característica marcante o registro do presente, a incorporação do artista e do dispositivo cinematográfico ao espaço físico contemporâneo, além do engajamento político que reunia forma e conteúdo como coisas indissociáveis e de necessário impacto sobre a realidade do momento. Sem mais carregar essa forte presença dos ambientes e dos temas tidos como atuais, o “novíssimo cinema brasileiro” apresenta uma posição mais difusa e tensa nas relações entre passado, presente e futuro da realidade nacional.
De maneira geral, todos os filmes exibidos aqui dialogam com acontecimentos passados ou projeções do futuro e, deste modo, distanciam-se da representação do cotidiano atual e alinham-se a uma estratégia de evocar outros tempos visando, implicitamente, a reelaboração de questões do presente. Sem a pretensão de apontar um novo paradigma ou uma tendência temática ou estilística homogênea e unívoca no cinema brasileiro feito hoje, mas justamente admitindo este como um dos múltiplos recortes capazes de descrever uma produção muito diversa, identificam-se em alguns filmes desse conjunto uma real indisposição de estabelecer uma abordagem direta de questões correntes e a opção por situar os filmes, tanto concreta quanto psicologicamente, em uma época que não a contemporânea. Em outros, percebe-se a tentativa de estabelecer um movimento real de resgate e de incursão no passado, como meio de modificar o presente, do qual A Alma da Gente e Mataram meu Irmão são exemplos bastante ilustrativos. Por sua vez, filmes como Tatuagem, Educação Sentimental e Cine Holliúdy se apoiam no passado por motivações distintas – respectivamente, pelo resgate da alma libertária, pela nostalgia estética e pela metalinguagem apaixonada. Ao mesmo tempo, Cine Holliúdy, Mar Negro e Quando Eu Era Vivo, parecem carregar no cerne de suas propostas a tentativa de resignificação das convenções de gêneros cinematográficos consolidados no passado – respectivamente, a comédia popular “caipira”, o cinema de horror gore e o terror psicológico –, além de certo resgate da estética do cinema de autor típico dos anos 1960 e 1970, presente em muitos outros filmes da seleção. Em outras obras selecionadas, como Gonzaga: De Pai pra Filho, Somos Tão Jovens e Outro Sertão, o resgate é de figuras de grande relevância da história cultural recente do país. Já Boa Sorte, Meu Amor e O Exercício do Caos sugerem que o colapso emocional dos protagonistas de algum modo surge da convergência entre o passado escravocrata brasileiro e o presente de um Nordeste elitista, relacionando o tempo presente individual ao passado coletivo, enquanto Jardim Europa, Quando Eu Era Vivo e Doce Amianto colocam os personagens em contato direto com seu próprio passado familiar e pessoal, impedindo-os de efetivamente “viver o presente”.
À parte o desafio de se analisar o que ainda não está sob as lentes da História, é muito improvável que se identifique um denominador comum para essas obras, tanto no que diz respeito a propostas estéticas quanto no tocante à receptividade desse cinema junto ao público e à crítica. Mas é errôneo – ou ao menos arriscado demais – afirmar que algo de novíssimo está evidente nesses filmes. O próprio recorte escolhido pela curadoria, o trabalho com a alteridade do tempo, atesta esse dilema. “Novíssimo” não é um conceito cunhado pela crítica para designar este ou aquele movimento artístico. Esse termo é antes uma referência a um apanhado de filmes brasileiros que aparecem agora, com relativo espaço para produções independentes, mas não só. É possível considerar essa “fuga do presente” um padrão do nosso “novíssimo cinema”, ou ele é intrínseco à própria elaboração dos personagens e acompanha o cinema desde sua gênese? Teria sido traumática a instabilidade anterior à retomada da produção no início dos anos 1990, de modo que os cineastas contemporâneos sentem a necessidade de exorcizar algumas pendências relativas à História recente? Em tempos em que a própria ruptura parece ser a regra, como romper com o passado? Como identificar e distinguir o tradicional do revolucionário?
Com atenção à complexidade dessas questões e com o intuito de promover o encontro dos artistas com seu público, o CINUSP segue programando nesta mostra encontros com os realizadores de alguns dos filmes em exibição – boa parte deles ainda inéditos no circuito comercial, apresentados aqui na condição de pré-estreias –, onde tais assuntos poderão ser colocados em pauta. Boa parte dessas sessões de pré-estreia seguidas de debate são realizadas no moderno e bem equipado auditório A do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da USP, que se integra, assim, ao circuito de salas do CINUSP que recebem esta programação, que inclui também a sala localizada no Favo 4 das Colmeias da Cidade Universitária e a sala Carlos Reichenbach do Centro Universitário Maria Antônia.
Assim, com mais esta edição da mostra NOVÍSSIMO CINEMA BRASILEIRO, o CINUSP Paulo Emílio reafirma seu compromisso de oferecer ao público o que de mais relevante vem sendo produzido pelo cinema brasileiro, ano após ano, além de estabelecer um espaço de encontro e troca permanentes entre os nossos realizadores e seus espectadores.
E atenção: devido ao feriado de Carnaval, a programação das salas de exibição do CINUSP será interrompida no dia 28 de fevereiro, sexta-feira, sendo retomada apenas no dia 5 de março, quarta-feira.
PROGRAMAÇÃO:
10/02 | segunda
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 DOCE AMIANTO
19h00 SERRA PELADA
11/02 | terça
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 MAR NEGRO
19h00 JARDIM EUROPA | DEBATE COM O DIRETOR MAURO BAPTISTA
12/02 | quarta
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 EDUCAÇÃO SENTIMENTAL
19h00 MATARAM MEU IRMÃO
13/02 | quinta
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 SERRA PELADA
19h00 O LOBO ATRÁS DA PORTA | DEBATE COM O DIRETOR FERNANDO COIMBRA
14/02 | sexta
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 CINE HOLLIÚDY
19h00 TATUAGEM
MARIA ANTÔNIA
20h00 MAR NEGRO
15/02 | sábado
MARIA ANTÔNIA
18h00 MATARAM MEU IRMÃO
20h00 QUANDO EU ERA VIVO
16/02 | domingo
MARIA ANTÔNIA
18h00 O MENINO E O MUNDO
20h00 DOCE AMIANTO
17/02 | segunda
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 A ALMA DA GENTE
19h00 BOA SORTE, MEU AMOR
18/02 | terça
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 SOMOS TÃO JOVENS
AUDITÓRIO A – PRÉDIO 4 (CINEMA, RÁDIO E TV) DA ECA/USP
19h00 DE MENOR | DEBATE COM A DIRETORA CARU ALVES DE SOUZA
19/02 | quarta
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 O MENINO E O MUNDO
19h00 CINE HOLLIÚDY
20/02 | quinta
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 QUANDO EU ERA VIVO
19h00 ENTREVALES | DEBATE COM O DIRETOR PHILIPPE BARCISNKI
21/02 | sexta
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 GONZAGA – DE PAI PRA FILHO
19h00 EDUCAÇÃO SENTIMENTAL
MARIA ANTÔNIA
20h00 O EXERCÍCIO DO CAOS
22/02 | sábado
MARIA ANTÔNIA
18h00 DOCE AMIANTO
20h00 SOMOS TÃO JOVENS
23/02 | domingo
MARIA ANTÔNIA
18h00 BOA SORTE, MEU AMOR
20h00 A ALMA DA GENTE
24/02 | segunda
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 MATARAM MEU IRMÃO
AUDITÓRIO A – PRÉDIO 4 (CINEMA, RÁDIO E TV) DA ECA/USP
19h00 O EXERCÍCIO DO CAOS
25/02 | terça
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 TATUAGEM
AUDITÓRIO A – PRÉDIO 4 (CINEMA, RÁDIO E TV) DA ECA/USP
19h00 EXILADOS DO VULCÃO | DEBATE COM A DIRETORA PAULA GAITÁN
26/02 | quarta
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 GONZAGA – DE PAI PRA FILHO
AUDITÓRIO A – PRÉDIO 4 (CINEMA, RÁDIO E TV) DA ECA/USP
19h00 QUANDO EU ERA VIVO
27/02 | quinta
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 O EXERCÍCIO DO CAOS
AUDITÓRIO A – PRÉDIO 4 (CINEMA, RÁDIO E TV) DA ECA/USP
19h00 OUTRO SERTÃO | DEBATE COM AS DIRETORAS ADRIANA JACOBSEN E SORAIA VILELA
28/02 | sexta
CIDADE UNIVERSITÁRIA
16h00 BOA SORTE, MEU AMOR
AUDITÓRIO A – PRÉDIO 4 (CINEMA, RÁDIO E TV) DA ECA/USP
19h00 O MENINO E O MUNDO
FILMES:
A Alma da Gente
Brasil, 2013, cor, digital, 80’
direção: Helena Solberg e David Meyer
sinopse: Depois de acompanhar o dia a dia dos ensaios de sessenta adolescentes do Corpo de Dança da Maré, no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, a equipe retorna ao local dez anos depois para descobrir os diferentes destinos de alguns dos integrantes do projeto, marcados pela transformação pela arte. Da mesma diretora dos documentários Palavra (En)cantada e Carmen Miranda: Bananas Is My Business e do longa-metragem de ficção Vida de Menina, o filme foi exibido nas mostras competitivas do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade e do Festival Internacional de Programas Audiovisuais de Biarritz, na França.
classificação indicativa: 10 anos
cid. universitária: 17.02 seg 16h00
maria antônia: 23.02 dom 20h00
Boa Sorte, Meu Amor
Brasil, 2012, p&b, 35mm, 95’
direção: Daniel Aragão
elenco: Christiana Ubach, Vinicius Zinn, Maeve Jinkings, Carlo Mossy, Rogério Trindade
sinopse: Um jovem descendente de uma família aristocrática do sertão nordestino trabalha como funcionário de uma empresa de demolição do Recife, cidade em intensa transformação imobiliária. Ao tentar apagar seu passado, o encontro com uma estudante de música desperta nele novas inquietações. Em sua estreia como diretor de longas-metragens, Daniel Aragão conquistou o prêmio de Melhor Direção no 45º Festival de Cinema de Brasília, do qual o filme também saiu vencedor na categoria Melhor Som.
classificação indicativa: 16 anos
cid. universitária: 17.02 seg 19h00 | 28.02 sex 16h00
maria antônia: 23.02 dom 18h00 | exibição digital
Cine Holliúdy
Brasil, 2012, cor, 35mm, 90’
direção: Halder Gomes
elenco: Edmilson Filho, Miriam Feeland, Roberto Bomtempo, Jesuíta Barbosa, Joel Gomes
sinopse: Em meados dos anos 1970, o proprietário de um pequeno cinema no interior do Ceará utiliza diversos artifícios para tentar manter viva a paixão do público pela sétima arte no momento em que a popularização da televisão afasta cada vez mais o espectador das salas de exibição. Primeiro longa-metragem de Halder Gomes, o filme é uma versão longa do premiado curta-metragem Cine Holiúdy – O Astista Contra o Caba do Mal, do mesmo diretor. Contando com irreverentes diálogos carregados do sotaque local e de gírias regionais, legendados em português, o longa-metragem evoca as antigas comédias populares de Amácio Mazzaropi e se tornou um fenômeno de bilheteria no Nordeste do Brasil, onde levou mais de 400 mil espectadores aos cinemas, mesmo sem o apoio de uma grande distribuidora ou de uma milionária campanha de marketing.
classificação indicativa: 12 anos
cid. universitária: 14.02 sex 16h00 | 19.02 qua 19h00
De Menor PRÉ-ESTREIA
Brasil, 2012, cor, digital, 90’
direção: Caru Alves de Souza
elenco: Rita Batata, Giovanni Gallo, Caco Ciocler, Rui Ricardo Diaz, Gilda Nomacce
sinopse: Uma advogada recém-formada divide sua rotina como defensora pública de crianças e adolescentes no Fórum de Santos e os cuidados com um jovem. Os dois mantêm uma relação de cumplicidade e harmonia até que o rapaz comete um delito capaz de abalar o relacionamento entre eles. Vencedor do prêmio de Melhor Longa-metragem do Festival do Rio de 2013, empatado com o filme O Lobo Atrás da Porta, também selecionado para esta mostra, este primeiro longa-metragem da diretora Caru Alves de Souza coloca sutilmente em questão o debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil.
classificação indicativa: livre
ctr-eca/usp: 18.02 ter 19h00 | sessão de pré-estreia seguida de debate com a realizadora
Doce Amianto
Brasil, 2013, cor, digital, 70’
direção: Guto Parente e Uirá dos Reis
elenco: Deynne Augusto, Uirá dos Reis, Dario Oliveira, Rodrigo Fernandes, Rafaela Diógenes
sinopse: Amianto é uma mulher frágil que vive isolada em sua fantasia. Sentindo-se abandonada por seu amor, ela encontra refúgio na figura de sua amiga morta e fada-madrinha. Décimo longa-metragem do coletivo cearense Alumbramento, criado em 2007 e responsável pela produção de filmes como Estrada para Ythaca, Os Monstros, O Rio nos Pertence e O Uivo da Gaita.
classificação indicativa: 16 anos
cid. universitária: 10.02 seg 16h00
maria antônia: 16.02 dom 20h00 | 22.02 sáb 18h
Educação Sentimental
Brasil, 2013, cor, 35mm, 84’
direção: Júlio Bressane
elenco: Josie Antello, Bernardo Marinho, Débora Olivieri
sinopse: Uma repentina atração promove o encontro entre um jovem estudante e uma professora. Durante sucessivas visitas à casa dela, o rapaz entra em contato com histórias, personagens e mistérios que lhe são apresentados com delicadeza. Com passagens por diversos temas e formas da arte, a narrativa alude ao mito grego da paixão da Lua pelo belo mortal Endimião. Um dos mais prestigiados e prolíficos nomes do cinema moderno brasileiro, responsável por clássicos como O Anjo Nasceu e Matou a Família e Foi ao Cinema, vencedor de diversos prêmios nacionais e internacionais nas categorias de Melhor Filme, Direção e Roteiro, incluindo quatro troféus Candango de Melhor Filme no Festival de Gramado (por Cleópatra, Filme de Amor, Miramar e Tabu) e um prêmio pelo conjunto da carreira no festival português Fantasporto de 1999, Júlio Bressane retornou com esse filme ao Festival de Locarno, na Suíça, 46 anos depois de seu primeiro longa-metragem, Cara a Cara.
classificação indicativa: 12 anos
cid. universitária: 13.02 qui 16h00 | 20.02 qui 19h00
Entre Vales PRÉ-ESTREIA
Brasil/Alemanha/Uruguai, 2012, cor, 35mm, 80’
direção: Philippe Barcinski
elenco: Ângelo Antônio, Melissa Vettore, Matheus Restiffe, Inês Peixoto, Daniel Hendler
sinopse: Economista vive uma vida comum com esposa e filho até o momento em que uma série de perdas levam-no a optar por uma jornada errática de desapego. Grande vencedor do 8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, o filme conta com a direção de fotografia de Walter Carvalho e com elogiado desempenho de Ângelo Antônio, considerado pela crítica como um dos melhores da carreira do ator. Do mesmo diretor dos premiados curtas-metragens A Escada, A Janela Aberta e Palíndromo e do longa-metragem Não Por Acaso.
classificação indicativa: 14 anos
cid. universitária: 20.02 qui 19h00 | sessão de pré-estreia seguida de debate com o realizador
Exilados do Vulcão PRÉ-ESTREIA
Brasil, 2013, cor, digital, 125’
direção: Paula Gaitán
elenco: Clara Choveaux, Vicenzo Amato, Simone Spoladore, Bel Garcia
sinopse: Uma mulher consegue salvar de sua casa incendiada fotos e um diário que pertenciam a seu amado. Cruzando montanhas e estradas, ela tenta refazer os passos dele, entrando em contato com lugares, pessoas, gestos, lembranças e histórias que, pouco a pouco, tornam-se parte também de sua vida. Primeiro longa-metragem da diretora Paula Gaitán, o filme foi o grande vencedor da mostra competitiva do 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, conquistando os troféus de Melhor Longa-Metragem de Ficção e Melhor Som.
classificação indicativa: 16 anos
ctr-eca/usp : 25.02 ter 19h00 | sessão de pré-estreia seguida de debate com a realizadora
O Exercício do Caos
Brasil, 2013, cor, digital, 71’
direção: Frederico Machado
elenco: Auro Juriciê, Di Ramalho, Thalyta Souza, Isabella Souza, Thayná Souza
sinopse: Um pai viúvo e autoritário vive com suas três filhas em uma antiga fazenda de mandioca no interior do Maranhão. A família sente a ausência da mãe, enquanto é explorada por um capataz que atenta contra a inocência das meninas, divididas entre a ilusão da infância e a realidade cruel de suas vidas. Dedicado a Robert Bresson e descrito pelo seu diretor como um “suspense existencialista”, o filme marca a estreia de Frederico Machado em longas-metragens.
classificação indicativa: 16 anos
cid. universitária: 27.02 qui 16h00
ctr-eca/usp : 24.02 seg 19h00
maria antônia: 21.02 sex 20h00
Gonzaga: De Pai pra Filho
Brasil, 2012, cor, 35mm, 120’
direção: Breno Silveira
elenco: Júlio Andrade, Adélio Lima, Chambinho do Acordeon, Land Vieira, Nanda Costa
sinopse: Cinebiografia dos cantores e compositores Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, pai e filho, dois dos mais reverenciados e influentes nomes da MPB (particularmente o pai, grande divulgador e inovador da música tradicional nordestina), realizada pelo mesmo diretor do grande sucesso 2 Filhos de Francisco: A História de Zezé Di Camargo e Luciano. De caráter panorâmico e episódico, a trama toma como fio condutor o reencontro entre os dois artistas depois de décadas de separação, quando Gonzaguinha recebe a visita de sua madrasta com notícias de que o Rei do Baião passa necessidade e decide partir para a cidade de Exu, no sertão de Pernambuco. A partir desse reencontro, surgem revelações do passado de ambos que abrem os caminhos para uma esperada colaboração artística entre eles – relembrada pelo filme em imagens de arquivo autênticas das apresentações da dupla.
classificação indicativa: 12 anos
cid. universitária: 12.02 qua 16h00 | 21.02 sex 16h00
Jardim Europa PRÉ-ESTREIA
Brasil, 2013, cor, 35mm, 77’
direção: Mauro Baptista Vedia
elenco: Ester Laccava, Laerte Melo, Horacio Penteado, Sílvio Restiffe, Cinthia Zaccariotto
sinopse: Apesar de enfrentar problemas financeiros, uma família de classe alta decadente opta por continuar vivendo em sua mansão no Jardim Europa, um dos bairros mais ricos de São Paulo. Quando o pai da família retorna à casa depois de longa ausência, mãe e filhos são confrontados pelo passado e pela presença do suposto responsável por sua ruína. Primeiro longa-metragem para cinema dirigido por Mauro Baptista Vedia, ensaísta e diretor de peças de teatro como A Festa de Abigaiu, Êxtase e Os Penetras (todas de Mike Leigh) e Ligações Perigosas (de Christopher Hampton).
classificação indicativa: sem classificação
cid. universitária: 11.02 ter 19h00 | sessão de pré-estreia seguida de debate com o realizador
O Lobo Atrás da Porta PRÉ-ESTREIA
Brasil, 2013, cor, digital, 101’
direção: Fernando Coimbra
elenco: Leandra Leal, Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré, Tamara Taxman
sinopse: Após o misterioso seqüestro de uma criança, os pais da vítima e a amante do pai são convocados a uma delegacia, onde prestam depoimentos contraditórios, que pouco contribuem para a solução do caso e muito revelam sobre os obscuros desejos, mentiras, carências e perversidades envolvidos nesse triângulo amoroso. Além de ter dividido com o filme De Menor, também em exibição nesta mostra, o prêmio de Melhor Longa-metragem do Festival do Rio, esse suspense psicológico também garantiu a Leandra Leal o troféu de Melhor Atriz da competição carioca e ao seu diretor o prêmio especial Horizons do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián.
classificação indicativa: 14 anos
ctr-eca/usp: 13.02 qui 19h00 | sessão de pré-estreia seguida de debate com o realizador
Mar Negro
Brasil, 2013, cor, digital, 105’
direção: Rodrigo Aragão
elenco: Mayra Alarcón, Carol Aragão, Walderrama Dos Santos, Kika de Oliveira, Ana Carolina Braga
sinopse: No litoral do Espírito Santo, uma vila de pescadores é contaminada por uma estranha mancha negra no oceano, que afeta os animais marinhos e as pessoas, espalhando a destruição. Em meio ao caos que se instala, um bordel abre na cidade e um homem luta pelo seu grande amor. Aclamado em festivais internacionais como o Sci-Fi London, na Inglaterra, e o Buenos Aires Rojo Sangre, na Argentina, esse raro caso de filme de horror independente brasileiro encerra a trilogia do diretor Rodrigo Aragão de obras do gênero sobre o desrespeito ao meio ambiente, que inclui também os longas-metragens Mangue Negro e A Noite do Chupacabras.
classificação indicativa: 18 anos
cid. universitária: 11.02 ter 16h00
maria antônia: 14.02 sex 20h00
Mataram Meu Irmão
Brasil, 2013, cor, digital, 77’
direção: Cristiano Burlan
sinopse: Por meio deste documentário, o realizador Cristiano Burlan busca resgatar a memória de seu irmão, assassinado doze anos atrás no Capão Redondo, bairro periférico de São Paulo. Em meio a investigações sobre a relação do rapaz com as drogas, os relatos de parentes e amigos retratam o impacto da violência urbana na comunidade e na vida familiar. Vencedor dos prêmios ABRACCINE e “Janela para o Contemporâneo” como Melhor Documentário Brasileiro do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade de 2013.
classificação indicativa: 12 anos
cid. universitária: 12.02 qua 19h00 | 24.02 seg 16h00
maria antônia: 15.02 sáb 18h00
O Menino e o Mundo
Brasil, 2013, cor, digital, 80’
direção: Alê Abreu
sinopse: Sofrendo com a partida do pai, um garoto resolve procurá-lo por um mundo fantástico e desolado, deparando-se com diversos personagens que remetem a uma conexão entre passado, presente e futuro. Com música-tema interpretada pelo rapper Emicida, além de participações do grupo Barbatuques e de Naná Vasconcelos na trilha original, este raro longa-metragem de animação brasileiro direcionado não apenas ao público infantil conquistou o Prêmio da Juventude no Festival Internacional de Cinema de São Paulo e o prêmio de Melhor Filme de Animação do Festival Internacional de Havana.
classificação indicativa: livre
cid. universitária: 19.02 qua 16h00
ctr-eca/usp: 28.02 sex 19h00
maria antônia: 16.02 dom 18h00
Outro Sertão PRÉ-ESTREIA
Brasil, 2013, cor/p&b, digital, 73’
direção: Adriana Jacobsen e Soraia Vilela
sinopse: Documentário que revela novos aspectos da biografia do aclamado romancista e contista brasileiro João Guimarães Rosa, cujo centenário foi comemorado em 2013, retratando sua estadia como vice-cônsul de Hamburgo na Alemanha nazista através de imagens de arquivo da época, documentos, testemunhos e de uma entrevista inédita com o próprio escritor. Vencedor do Prêmio Especial do Júri no 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e eleito Melhor Documentário Brasileiro da 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
classificação indicativa: 12 anos
ctr-eca/usp: 27.02 qui 19h00 | sessão seguida de debate com as realizadoras
Quando Eu Era Vivo
Brasil, 2014, cor, digital, 100’
direção: Marco Dutra
elenco: Antonio Fagundes, Marat Descartes, Sandy Leah, Gilda Nomacce, Helena Albergaria
sinopse: Depois de uma crise, um homem decide abandonar emprego e esposa e busca abrigo na casa do seu pai. Descobre que no quarto em que dormia quando criança passou a viver uma bela inquilina, estudante de música, e que o ambiente da casa agora lhe parece hostil. No quarto dos fundos, o homem encontra objetos deixados por sua falecida mãe e passa a desenvolver uma obsessão pelo passado que pode por em risco sua sanidade. Baseado no livro A Arte de Produzir Efeito Sem Causa, de Lourenço Mutarelli, esse thriller psicológico sobrenatural é o terceiro longa-metragem do coletivo paulista Filmes do Caixote, também responsável pelos elogiados Trabalhar Cansa (codirigido por Marco Dutra com Juliana Rojas, que assina aqui a montagem) e O Que Se Move (dirigido por Caetano Gotardo, que coassina aqui a autoria da trilha sonora, mesma função desempenhada por Dutra em seu filme). Realizada com um baixo orçamento para os parâmetros de um longa-metragem do gênero, o filme tem como grande destaque seu elenco, que inclui Marat Descartes (ator teatral revelado para o cinema em Trabalhar Cansa), o astro Antonio Fagundes em elogiado desempenho bem distante dos papeis que costuma interpretar na televisão, e a cantora Sandy, em atuação corajosa e também dissonante de sua persona pública.
classificação indicativa: 12 anos
cid. universitária: 20.02 qui 16h00
ctr-eca/usp: 26.02 qua 19h00
maria antônia: 15.02 sáb 20h00
Serra Pelada
Brasil, 2013, cor, 35mm, 120’
diretor: Heitor Dhalia
elenco: Juliano Cazarré, Júlio Andrade, Sophie Charlotte, Wagner Moura, Matheus Nachtergaele
sinopse: Na década de 1980, com a descoberta da maior mina de ouro a céu aberto do mundo, mais de cem mil homens iniciam uma corrida à Serra Pelada, no sudeste do estado do Pará, em busca de fortuna. Entre eles estão dois amigos que deixaram São Paulo para experimentar as controversas mudanças que o dinheiro irá causar em suas vidas. Do mesmo diretor de Nina, O Cheiro do Ralo, À Deriva e da produção hollywoodiana 12 Horas, esta superprodução foi recentemente exibida pela Rede Globo de Televisão em uma versão estendida, como minissérie de três capítulos.
classificação indicativa: 14 anos
cid. universitária: 21.02 sex 19h00 | 26.02 qua 16h00
Somos Tão Jovens
Brasil, 2013, cor, digital, 104’
direção: Antônio Carlos da Fontoura
elenco: Thiago Mendonça, Laila Zaid, Bruno Torres, Bianca Comparato
sinopse: No ano de 1973, um jovem de 16 anos se muda com a família do Rio de Janeiro para Brasília. Sofrendo de uma doença óssea degenerativa, o garoto é obrigado a ficar de cama e acaba se interessando pelo universo do punk rock. Aos poucos, ele se recupera e se envolve com o cenário musical da cidade, onde funda o grupo musical Aborto Elétrico, “embrião” da futura Legião Urbana, uma das mais populares e importantes bandas do rock brasileiro. Concebido como um documentário sobre a vida do cantor e compositor Renato Russo, o filme acabou se tornando uma ficção inspirada nos momentos iniciais da trajetória artística do músico.
classificação indicativa: 14 anos
cid. universitária: 10.02 seg 19h00 | 18.02 ter 16h
maria antônia: 22.02 sáb 20h00
Tatuagem
Brasil, 2013, cor, 35mm, 110’
direção: Hilton Lacerda
elenco: Irandhir Santos, Jesuíta Barbosa, Rodrigo Garcia, Sylvia Prado, Silvio Restiffe
sinopse: Durante um momento de crise política do regime militar no Brasil, no final dos anos 1970, uma trupe conhecida como Chão de Estrelas provoca o poder e a moral estabelecidos com intervenções urbanas e espetáculos realizados em um teatro/cabaré localizado na periferia entre duas cidades do Nordeste. Nesse contexto, a vida do líder do grupo de artistas é abalada pelo seu romance com um jovem soldado do interior, que presta serviço militar. Primeiro longa-metragem como diretor de Hilton Lacerda, que assinou o roteiro de alguns destaques da cinematografia brasileira recente, como Amarelo Manga, Filmefobia, A Festa da Menina Morta, Febre do Rato e Árido Movie, entre outros. Vencedor dos kikitos de Melhor Filme, Melhor Ator (Irandhir Santos) e Melhor Trilha Sonora (DJ Dolores) no 41º Festival de Cinema de Gramado e de cinco prêmios no Festival do Rio, inclusive o de Melhor Filme.
classificação indicativa: 16 anos
cid. universitária: 14.02 sex 19h00 | 25.02 ter 16h00
NOVÍSSIMO CINEMA BRASILEIRO 2014
de 10 a 28 fevereiro
CINUSP Paulo Emílio
Sala Cidade Universitária
Rua do Anfiteatro, 181 – Colmeias, Favo 04
Cidade Universitária
entrada franca
100 lugares
fone: 11-3091-3540
CTR – Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da USP
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, prédio 4 – auditório A
Cidade Universitária
entrada franca
70 lugares
Sala Maria Antônia
Rua Maria Antônia, 294, 1º andar – sala Carlos Reichenbach
Consolação
entrada franca
70 lugares
cinusp@usp.br
www.usp.br/cinusp
www.facebook.com/cinusp
www.twitter.com/cinusp

