19o. CINEMATO: DOCUMENTÁRIO SOBRE NEY MATOGROSSO ENCHE OS OLHOS E OS OUVIDOS.

“Olho Nu” é um documentário sobre Ney Matogrosso. Bom, não exatamente. “Olho Nu” é um documentário de Ney Matogrosso. Também não exatamente. Ou talvez ele seja “de”, “sobre” e “para” Ney. Mais certo seria dizer que “Olho Nu” é Ney Matogrosso. O cineasta Joel Pizzini, de quem pode se esperar tudo, menos um trabalho convencional, desnuda na tela um dos mais desnudos talentos da música brasileira. Pizzini não “abre” câmera, como se diz no jargão técnico: ele a escancara. E tem a sorte e o prazer de contar diante de suas lentes com um talento cênico/musical que por sua vez também ama a exposição. O resultado é “Olho Nu”, mais que um documentário, uma experiência sensorial.

Não dá pra dizer “está tudo ali, no filme”. Seria impossível. Mesmo porque o próprio Ney, informa Pizzini, é um contumaz colecionador de suas próprias imagens de arquivo. Seu sonho é editar tudo o que conseguiu juntar nestes anos numa espécie de filme sem fim sobre ele mesmo. Nem precisa dizer que Ney, nascido em 1º de agosto de 1941, é leonino. Percebe-se muito deste leão em “Olho Nu”. Desde as cenas de arquivo, onde o astro invade todos os espaços cênicos que tem a seu dispor, até as imagens produzidas especificamente para o documentário, onde Ney se interpreta e se reinterpreta, vira homem, vira bicho, vira lobisomem e demonstra sua vasta paixão pelas coisas da terra, da água e do ar.

À vontade, Ney fala de seus problemas familiares, das desavenças com o pai austero, posa para as lentes, não foge de nenhum assunto, exibe a solidez e a sabedoria de quem, se ainda não chegou onde queria, pelo menos sabe que está no caminho certo.

Sonoramente, o filme é outro espetáculo. Visto e ouvido numa boa sala de cinema, a experiência da voz de Ney enchendo o espaço é quase religiosa. Ela entra pelos ouvidos e pelos poros, preenchendo todos os cantos do cinema e da alma.

“Olho Nu” é um filme para ser visto, no mínimo, duas vezes: uma de olhos abertos, e outra de olhos fechados.

Mais informações sobre o 19º Cinemato em www.cinemato.com.br

Celso Sabadin viajou a Cuiabá a convite da organização do evento.