19o. CINEMATO: PRODUTORA MATOGROSSENSE PEDE UM CINEMA SEM BANDIDOS NEM CORONÉIS.

A chuva tem castigado a capital de Mato Grosso, mas mesmo assim o público tem comparecido em bom número ao 19º Cinemato – Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá. Um parêntese: acho um charme o nome oficial do evento ser festival de “Cinema e Vídeo”. Acredito que já deve até existir uma nova geração que desconhece a palavra “Vídeo” e o que ela significou para o audiovisual nos anos 80 e 90. E é justamente por isso que a manutenção da palavra no nome do Festival proporciona a ele um caráter histórico profundamente atrelado a estes seus 19 anos de existência e resistência. É bonito de ver.

Mesmo porque “ousar fazer, mostrar, demandar cinema em Mato Grosso é uma transgressão”, de acordo com Tati Mendes, proprietária da Cia D´Artes, uma das produtoras cinematográficas mais atuantes do estado. “Pedir apoio, incentivo, estímulo ou apenas compreensão para este movimento que é capaz de virar do avesso a vida das pessoas, soa aqui, como uma possibilidade de tirar de alguns o leme de comando das questões mais imperiosas e que podem fazer brotar votos e status”, afirma Tati, que produziu, entre outros, os longas “A Oitava Cor do Arco Íris” e “Ao Sul de Setembro”, ambos dirigidos por Amaury Tangará.

Tati classifica os cineastas matogrossenses como “proscritos que há duas décadas, pelo menos, brigamos por espaço, apoio, estímulo, respeito, capacidade de realizar, produzir, manifestar, e transcender”. E justamente por isso faz questão de publicamente parabenizar Luis Borges pela realização do festival pela décima nona vez.
E conclama a classe política a parar com “discursos demagógicos e criar de fato um plano de apoio ao cinema, decente e impactante, transparente e eficaz. Sem bandidos, nem coronéis”, finaliza.

E que venha o 20º. Cinemato.

Mais informações sobre o 19º Cinemato em www.cinemato.com.br

Celso Sabadin viajou a Cuiabá a convite da organização do evento.