“TESE SOBRE UM HOMICÍDIO”: ARGENTINO, PERO NO MUCHO.
Se não pode vencê-los, junte-se a eles. Talvez este tenha sido o pensamento do diretor argentino Hernán Goldfrid ao realizar o suspense policial “Tese sobre um Homicídio”, seu segundo filme (o primeiro, “Música em Espera”, de 2009, não passou no Brasil). Ou seja, assim como vários cineastas franceses já vêm fazendo nos últimos anos (principalmente após o sucesso internacional de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”), Goldfrid também preferiu beber na fonte dos dogmas do cinema americano ao dirigir seu filme hispano-argentino. Trata-se, sem dúvida, de um produto de estética globalizada, com um olho no mercado internacional, que felizmente ainda não se rende totalmente a ele porque mantém seu idioma original.
A trama fala de um brutal assassinato cometido no estacionamento de uma faculdade de Direito. Bem debaixo da janela da sala onde o conceituado professor Bermudez (Ricardo Darín, sempre impecável) ministra um curso de pós-graduação. A partir daí, vários pequenos fatos fazem Bermudez acreditar que o assassino seja um de seus alunos. E sai a campo para investigar.
“Tese sobre um Homicídio” é dirigido com elegância. Apresenta uma fotografia sofisticada, ótimas interpretações, e é eficiente na condução do mistério que envolve a investigação. Incomoda, porém, sua constante busca pela mimetização do produto americano, do qual copia inclusive estilo de trilha sonora, vícios de roteiro e os velhos trejeitos de causa e efeito. Felizmente, pelo menos, não há perseguições automobilísticas.
Evidente que tudo isso pode lhe abrir um circuito de shopping e atrair um público maior, menos aberto à estética latina, mas até este público poderá, no final das contas, se decepcionar, já que o desfecho da história está muito mais para que para Eric Rohmer que para Michael Bay.

