VERSÃO FRANCO-ALEMÃ DE “A BELA E A FERA” TRAZ SENSUALIDADE E EXUBERÂNCIA.

Há mais ou menos uma dúzia de adaptações do conto clássico “A Bela e a Fera” para cinema e televisão. As próprias origens da criação do texto original se perdem no tempo. Ele teria nascido da tradição oral francesa, coletado e escrito por Gabrielle-Suzanne Barbot, em 1740, e depois reescrito e condensado em sua versão mais popular, de Marie Le Prince de Beaumont, 16 anos mais tarde.

Não é tão importante determinar sua origem. Vale, sim, o fato de que o texto permite diferentes níveis de leituras e interpretações. No caso desta coprodução franco-alemã dirigida pelo francês Christophe Gans (o mesmo de “O Pacto dos Lobos”), fica clara a intenção de recontar a história para as novas gerações de frequentadores de cinema. O que significa dizer: visual esplendoroso, bastante ação e aventura, muitos efeitos especiais, e trilha sonora exuberante. O que não se constitui absolutamente em problema, mas apenas numa lícita opção comercial, na busca pelo grande púbico. E que não faz feio, graças à dimensão romântico-aventureira da bela história.

Tudo no filme é bastante requintado, dentro de um estilo que ressalta as origens do texto: a fábula, o conto de fadas, o sonho. Não chega a ser um “cinema ostentação”, pois mantém a dignidade do conteúdo da história, e utiliza a exuberância visual como ferramenta, e não como fim em si mesmo. Além disso, o filme carrega uma tensão sensual impensável para quem só tem no desenho da Disney sua maior referência da história.

A trama não precisa contar, né?