MOSTRA “MEDO E DELÍRIO” CONFIRMA DEBATEDORES E PALESTRANTES.
Carlos Primati, Rodrigo Carreiro, Juliana Rojas, Gabriela Amaral Almeida e Laura Cánepa são os nomes confirmados pela mostra Medo e Delírio no Cinema Brasileiro Contemporâneo para os encontros temáticos sobre o gênero do cinema de horror. Serão realizados um debate e duas palestras, no Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, com entrada gratuita. A mostra inédita dedicada a filmes de terror, suspense, policial e “terrir” (horror + comédia), iniciada na última sexta, segue até o dia 2 de novembro. A programação especial é composta por 39 filmes (23 longas e 16 curtas-metragens) produzidos nos anos 1990 e 2000 e tem coordenação e curadoria assinadas pelo jornalista e crítico de cinema Marcelo Miranda.
A palestra que abre a série de encontros acontece nesta terça-feira (28/10), às 19h. O jornalista e pesquisador Carlos Primati abordará a temática “Cinema de horror: das origens ao abrasileiramento”. “Primati vai discutir as principais características do terror, desde suas origens literárias até os filmes mais essenciais feitos ao longo dos anos, e refletir sobre de que maneira os elementos constitutivos do gênero foram aplicados ou reconfigurados em filmes brasileiros”, adianta o curador e coordenador da mostra, Marcelo Miranda.
Na quinta (30/10), às 19h15, Juliana Rojas (diretora e roteirista), Rodrigo Carreiro (professor e pesquisador) e Gabriela Amaral Almeida (diretora e roteirista) vão participar da mesa “Cinema de terror: gênero brasileiro?”. A proposta do encontro é discutir a presença do horror no cinema do Brasil e de que maneira a produção do gênero no país vem se renovando nos últimos 20 anos, a partir de novas formas de abordagem e realização.
Para fechar a programação de encontros, no sábado (1/11), às 18h, a pesquisadora e professora Laura Loguercio Cánepa vai ministrar a palestra “Medo de quê? Uma história do horror no cinema brasileiro”. A partir de sua tese de doutorado, Laura Cánepa aborda a historiografia do terror no Brasil, desde o primeiro filme com elementos do gênero (O jovem tataravô, 1936), passando pela inventividade de José Mojica Marins nos anos 1960, o ápice da produção nos anos 1970 e a retomada sob novos aspectos nos anos 1990 e 2000.
Medo e Delírio no Cinema Brasileiro Contemporâneo
A mostra Medo e Delírio no Cinema Brasileiro Contemporâneo reúne parte da produção brasileira dedicada ao gênero do horror, dos últimos 20 anos, sob um mesmo recorte: o de filmes, muitos deles lançados no circuito comercial, que se enquadram na categoria do terror. Vários dos trabalhos incorporam em suas dramaturgias referenciais de outros gêneros, como drama, comédia, suspense e romance, criando produções híbridas capazes de assustar e divertir simultaneamente. Ao reunir filmes de terror, a mostra traz à tona a discussão e reflexão sobre o quanto esse gênero do cinema pode servir de espaço de experimentação, risco e ousadia estética.
Filmes mais conhecidos dividem espaço com trabalhos menos vistos pelo grande público e fundamentais na evolução do gênero do terror no país. Na tela do Cine Humberto Mauro são exibidas produções nas quais os protagonistas são psicopatas, coveiros, lobisomens, investigadores de seguro, legistas, zumbis, demônios, exorcistas, mães alucinadas, monstros, detetives, entre vários outros tipos que permeiam o imaginário do gênero nas suas infinitas vertentes.
Para o curador Marcelo Miranda, um dos destaques da mostra será a exibição da versão do diretor do mítico “Olhos de Vampa”. O suspense policial de 1996, dirigido por Walter Rogério, foi lançado num corte reprovado pelo cineasta. A versão original ficou guardada e quase nunca exibida. A mostra conseguiu localizar esta cópia rara e vai apresentá-la em duas sessões, uma delas programada para o encerramento da mostra (2/11), às 20h15. Dos 39 títulos programados, 22 serão exibidos em película 35mm. “Isso representa mais da metade da programação. O restante varia entre DCP e arquivos de alta definição”, ressalta.
A mostra Medo e Delírio no Cinema Brasileiro Contemporâneo está sendo realizada pela Enquadramento Produções, com recursos da Fundação Municipal de Cultura, via Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Currículos dos participantes
Carlos Primati
Jornalista e crítico especializado em cinema de horror. Pesquisou a obra de José Mojica Marins, sobre quem publicou artigos em diversos livros e organizou o lançamento dos filmes de Zé do Caixão em DVD. Idealizou a mostra Horror no Cinema Brasileiro, dedicada à produção nacional no gênero, em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Participou da retrospectiva completa sobre Alfred Hitchcock no Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte.
Rodrigo Carreiro
Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco desde 2011, coordenador do Bacharelado em Cinema e Audiovisual da UFPE (2010-2014) e membro do Conselho da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE) desde 2011. Possui Doutorado e Mestrado em Comunicação pela UFPE. É Bacharel em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco. Atua principalmente nas áreas de teoria e história do cinema, com ênfase na análise fílmica, nos estudos dos gêneros fílmicos e nos estudos do som, além de interesse especial na pesquisa da estilística cinematográfica e no cinema de horror. É autor do livro Era uma vez no spaghetti western: o estilo de Sergio Leone (Editora Estronho, 2014).
Laura Loguercio Cánepa
Jornalista e pesquisadora de cinema. Doutora em Multimeios pelo IAR-Unicamp (2008), mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP (2002) e graduada em Jornalismo pela FABICO-URFGS (1996), é docente e coordenadora do Mestrado em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi e Pós-Doutoranda no Departamento de Cinema, Televisão e Rádio da ECA-USP. É membro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE) e Coordenadora do GP de Cinema da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Colaboradora de diversas publicações acadêmicas e jornalístias, é autora da tese de doutorado “Medo de Quê? – Uma história do horror nos filmes brasileiros”.
Juliana Rojas
Cineasta, roteirista e montadora, formada em Cinema pela ECA-USP, onde deu início à parceria com o também diretor Marco Dutra. O primeiro curta-metragem da dupla, O lençol branco (2004), participou da mostra Cinéfondation do Festival de Cannes. Eles voltaram ao festival com o curta Um ramo (2007), na Semana da Crítica, e com o longa Trabalhar cansa (2011), na mostra Um Certo Olhar. Montou o longa Quando eu era vivo, de Marco Dutra, e assinou a direção solo dos curtas O Duplo (2012), também exibido em Cannes, Pra eu dormir tranquilo (2011) e Vestida (2008), e do longa Sinfonia da necrópole (2014).
Gabriela Amaral Almeida
Mestre em literatura e cinema de horror, com especialização em roteiro pela Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV) de Cuba. Diretora, dramaturga e roteirista em trabalhos de Cao Hamburger, Márcia Faria, Cibele Forjaz e Marco Dutra. Dirigiu os curtas-metragens Náufragos (2011), Uma primavera (2011), A sutil circunstância (2011), A mão que afaga (2012), Terno (2013) e Estátua! (2014). Atualmente desenvolve seus primeiros longas-metragens, A sombra do pai e Contato, e trabalha no roteiro do novo filme de Cao Hamburger, adaptado do romance De repente, nas profundezas do bosque, do escritor israelense Amos Oz.
Programação
Mostra Medo e Delírio no Cinema Brasileiro Contemporâneo
Cine Humberto Mauro – 24/10 a 02/11
Entrada gratuita. Retirada de ingressos 30 minutos antes de cada sessão. Palestras e debate não exigem inscrição prévia, mas a entrada é condicionada à capacidade de lotação dos espaços.
27 SEG
17h “Espeto” (Dir.: Guilherme Marback e Sara Silveira * 17 min) + “Desaparecidos” (Dir.: David Schürmann * 73 min)
21h “O Hóspede” (Dir.: Anacã Agra e Ramon Porto Mota * 17 min) + “Um Lobisomem na Amazônia” (Dir.: Ivan Cardoso * 75 min)
28 TER
17h “Amor só de Mãe” (Dir.: Dennison Ramalho * 20 min) + “Strovengah – Amor Torto” (88 min)
19h Palestra: “Cinema de horror: das origens ao abrasileiramento”, por Carlos Primati, pesquisador e especialista em filmes de horror.
21h “Encosto” (Dir.: Joel Caetano * 7 min) + “Bellini e o Demônio” (Dir.: Marcelo Galvão * 20 min)
29 QUA
17h “Bufo & Spallanzani” (Dir.: Flávio R. Tambellini * 96 min)
19h “Ninjas” (Dir.: Dennison Ramalho * 15 min) + “FilmeFobia” (Dir.: Kiko Goifman * 80 min)
21h “Mangue Negro” (Dir.: Rodrigo Aragão * 104 min)
30 QUI
14h45 “O Xangô de Baker Street” (Dir.: Miguel Faria Jr * 123 min)
19h15 Debate: “Cinema de terror: gênero brasileiro?”, com Rodrigo Carreiro (professor e pesquisador), Juliana Rojas (diretora e roteirista) e Gabriela Amaral Almeida (diretora e roteirista)
21h15 “Vinil Verde” (Dir.: Kleber Mendonça Filho * 13 min) + “Quando Eu Era Vivo” (Dir.: Marco Dutra * 80 min)
31 SEX
15h “Sintomas” (Dir.: Fernando Mantelli * 25 min) + “Trabalhar Cansa” (Dir.: Juliana Rojas e Marco Dutra * 100 min)
17h15 “Sem Controle” (Dir.: Cris D’Amato * 92 min)
19h “A Mão que Afaga” (Dir.: Gabriela Amaral Almeida * 19 min) + “Nervo Craniano Zero” (Dir.: Paulo Biscaia Filho * 80 min)
21h “Encarnação do Demônio” (Dir.: José Mojica Marins * 94 min)
1 SÁB
16h “Amor só de Mãe” (Dir.: Dennison Ramalho 20 min) + “Strovengah – Amor Torto” (Dir.: André Sampaio * 88 min)
18h Palestra: “Medo de quê? Uma história do horror no cinema brasileiro”, com Laura Cánepa, professora e pesquisadora
20h30 – “A Menina do Algodão” (Dir.: Kleber Mendonça Filho e Daniel Bandeira * 8 min) + “O Fim da Picada” (Dir.: Christian Saghaard * 80 min)
2 DOM
16h “A Noite do Chupacabras” (Dir.: Rodrigo Aragão * 106 min)
18h “O Lençol Branco” (Dir.: Juliana Rojas e Marco Dutra * 17 min) + “Brasília 18%” (Dir.: Nelson Pereira dos Santos * 106 min)
20h15 “O Membro Decaído” (Dir.: Lucas Sá * 17 min) + “Olhos de Vampa” (Dir.: Walter Rogério* 74 min)
Serviço
Mostra Medo e Delírio no Cinema Brasileiro Contemporâneo
24 de outubro a 2 de novembro
Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Entrada franca
Informações www.medoedelirio.com.br

