GRAMADO 2015: “O ÚLTIMO CINE DRIVE-IN” ACERTA AO PRIORIZAR A SIMPLICIDADE.
Por Celso Sabadin, de Gramado.
Se tem uma coisa que críticos, festivais de cinema e cinéfilos gostam é de filmes que homenageiam o próprio cinema. Se o filme é bem feito, então, os aplausos estão garantidos. A gente adora escrever “uma verdadeira declaração de amor ao cinema” em nossas críticas. Assim, foi muito bem recebido, na noite de ontem (10/08), o sensível “O Último Cine Drive-In”, estreia no longa metragem do premiado curta-metragista brasiliense Iberê Carvalho.
O filme já chegou aqui bem recomendado: no Festival do Rio do ano passado ele levou o prêmio de atriz coadjuvante para Fernanda Rocha, e foi o grande vencedor do 18º Festival de Punta Del Este, Uruguai, onde ganhou Melhor Filme pelo Júri Oficial, Melhor Ator e Melhor Filme pelo Júri Jovem. Certamente acrescentará alguns Kikitos nesta sua bagagem de troféus.
O principal mérito do filme é a sua afetuosa simplicidade. Tudo se passa numa família disfuncional (crítico adora escrever “família disfuncional” em suas críticas). O pai (Othon Bastos, que já é por si só uma homenagem viva ao cinema) é um homem obstinado pelo seu cinema drive-in, decadente, às moscas, mas que mantém a aura do heroísmo apaixonado pela sétima arte. O filho (Breno Nina), significativamente batizado de Marlonbrando, tem uma relação conflituosa com o pai, e está muito mais preocupado em acompanhar a mãe (Rita Assemany) em seu calvário pela ineficiência da falta de atendimento hospitalar. De alguma maneira, para superar estes problemas, pai, mãe e filho serão obrigados a rever antigos traumas, e neste processo de reencontro o cinema atuará como elemento catalisador.
Tudo dirigido e roteirizado com muita simplicidade, eficiência e emotividade por Iberê Carvalho (com o músico Zepedro Gollo colaborando no roteiro), que fez a feliz opção pela simplicidade narrativa. Sem firulas, sem maneirismos desnecessários, deixando que a força intrínseca da história seguisse seu rumo natural e levasse a plateia à emoção de forma sólida e madura.
Enfim, uma verdadeira declaração de amor ao cinema.
Celso Sabadin viajou a Gramado a convite da organização do festival.

