A RESISTÊNCIA À SOLIDÃO NO SENSÍVEL “FIQUE COMIGO”.

Por Celso Sabadin.

Pequenas, simples e ternas histórias de amor. O tema, pra lá de explorado pelo cinema – ainda consegue provocar encantamento, desde que bem roteirizado e dirigido. A boa notícia é que “Fique Comigo”, dentro de sua simpática simplicidade, é de fato bem escrito e bem dirigido. Além de muito bem interpretado, condição fundamental para a obtenção da tão necessária empatia com a plateia.

São três histórias que enfocam diferentes tipos de amor. Há o homem solitário (Gustave Kervern, que além de ator também é o diretor de “Mamute”), que finge ser fotógrafo profissional para conquistar o coração de uma enfermeira que está sempre com frio (Valeria Bruni Tedeschi, de “Capital Humano”). Há a amizade entre um adolescente (Jules Benchetrit, de “Um Reencontro”, filho do diretor) e sua vizinha mais velha (a grande Isabelle Huppert), uma antiga atriz de sucesso. E, o melhor dos três, o afeto mudo e sincero que nasce entre uma senhora argelina (Tassadit Mandi de “Dheepan: O Refúgio”) e um inacreditável astronauta norte-americano (Michael Pitt, de “Violência Gratuita”, sem nenhum parentesco com Brad).

Tudo isso tendo como pano de fundo um edifício decadente na periferia, muito longe de qualquer tipo de glamour. Não se trata de um filme em episódios, mas sim de histórias que coexistem, que convivem paralelamente no universo deste prédio no qual todos vivem fisicamente próximos, mas humanamente distantes, num pequeno espaço urbano onde ninguém de fato se conhece. Como tantos edifícios. “Fique comigo” é um filme sobre esta necessidade tão inerente ao ser humano de tentar- pelo menos tentar – enfrentar a solidão. Mais um belo e sensível trabalho deste bom cinema francês que nos últimos tempos felizmente tem conseguido mais e maiores espaços no circuito exibidor brasileiro.