“VOANDO ALTO” CONQUISTA AOS POUCOS.

 

Por Celso Sabadin.

Os Jogos Olímpicos de Inverno de 1988 em Calgary, no Canadá, devem ter sido realmente muito especiais. Foi ali que aconteceu a inacreditável façanha da equipe de bobsled da Jamaica, país sem nenhuma tradição de jogos de inverno, que encantou o mundo com sua determinação, e cuja história se transformou no filme “Jamaica Abaixo de Zero”, que todo mundo já viu pelo menos uma vez na Sessão da Tarde.

E também foi em Calgary, no mesmo ano de 1988, que surgiu Eddie, a Águia? Quem? Por que todos nós conhecemos a história da equipe da Jamaica e praticamente ninguém ouviu falar em Eddie, a Águia? Basicamente por dois motivos. Primeiro porque em 1988 não era comum, na imprensa brasileira, cobrir as Olimpíadas de Inverno. E segundo porque ninguém havia feito um filme sobre Eddie. Pelo menos até agora: “Voando Alto” é o longa que veio preencher esta lacuna cinematográfica.

Admito que fui ver o filme com um pé atrás. Afinal, estas histórias edificantes de pessoas obstinadas e desacreditadas que com coragem e determinação conseguem se superar costumam ser todas muito parecidas, na tela do cinema. E, de fato, os primeiros 20 ou 30 minutos de “Voando Alto” são bastante aborrecidos. Principalmente por causa da enfadonha mesmice de sua trilha sonora, que parece ter uma necessidade obsessiva de sublinhar redundantemente toda e qualquer emoção solicitada pelo roteiro. Passada esta primeira barreira, porém, acontece o que dificilmente ocorre no cinema: o filme vai melhorando. Aos poucos, o protagonista amplia sua empatia, consegue estabelecer uma boa sintonia com a plateia e, por mais que a narrativa se utilize de todas as tradicionais ferramentas deste tipo de cinebiografia (e como utiliza!) o resultado acaba empolgando. Principalmente porque vemos revertida a expectativa inicial que Eddie seria um grande campeão olímpico. Sua vitória é outra. E não menos emocionante. Boa parte desta emoção deve ser creditada à performance de Taron Egerton (o “Eggsy” de “Kingsman”), aqui irreconhecível.

Produzido por Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra, “Voando Alto” tem roteiro de dois estreantes – Sean Macaulay e Simon Kelton – e direção de Dexter Fletcher, dono de uma longa carreira como ator, mas que nos últimos anos tem se dedicado à direção. Embora baseado na história real de Eddie Edwards, o personagem vivido por Hugh Jackman, que segura bem boa parte da trama, é ficcional. Pela própria plástica dos esportes de inverno, “Voando Alto” rende, além de uma história agradável de ver, belas tomadas de cena em imponentes locações.

Como entretenimento, funciona muito bem.

Estreia nesta quinta, 30 de março.