“O JANTAR” INDIGESTO GOELA ABAIXO DE UMA SOCIEDADE DECADENTE.

Por  Celso Sabadin.

Paul Lohan (Steve Coogan) é um revoltado professor de História com teorias, no mínimo, polêmicas. Ele acredita, por exemplo, que as guerras fazem bem ao mundo, pois a profusão de mortos diminui o número de babacas sobre a face da Terra. Já seu irmão Stan (Richard Gere) é um político bem sucedido que pretende se candidatar ao cargo de governador. Ou seja, ele vive e respira exatamente o ambiente de babaquice que Paul combate ferozmente. Ambos têm um grave problema familiar para resolver, e para isso Stan convida Paul para o tal jantar do título do filme. Com suas respectivas esposas, eles se reúnem num restaurante irritantemente formal, cenário ideal para o desastre do confronto que se anuncia. Enquanto isso, do lado de fora deste templo de consumo gastronômico emoldurado p futilidade das aparências, os filhos dos irmãos beligerantes perpetuam a barbárie… como nossos pais.

“O Jantar” é o quarto longa do israelense Oren Moverman, o mesmo do perturbador “O Mensageiro”. O roteiro, do próprio diretor, adaptado do livro do holandês Herman Koch, é um primor de cinismo, principalmente através das falas do personagem Paul. Nada escapa à acidez dos seus comentários, da destruição e da morte como partes indissolúveis  da sociedade norte-americana, à falência dos mais diversos tipos de relações familiares. Um retrato forte de uma época cruel vivida numa sociedade hipócrita.

Incômodo, tratando de assuntos seriíssimos que todos deveriam ouvir mas que ninguém deseja saber, “O Jantar” foi selecionado para competição oficial de Berlim, mas transformou-se num estrondoso fracasso de bilheteria no intelectualmente limitado mercado dos EUA, onde faturou pouco mais de US$ 1 milhão. É um dos grandes filmes do ano, e estreia no Brasil em 7 de setembro.