“150 MILIGRAMAS” EXPÕE A MÁFIA DA SAÚDE.
Por Celso Sabadin.
“150 Miligramas” é um filme que empolga muito mais pela sua denúncia que propriamente pelas suas qualidades cinematográficas. Em termos formais, é bastante convencional e se inspira abertamente nas produções norte-americanas do mesmo viés. Mas acompanhar a história real da Dra. Irène Franchon, vivida pela atriz dinamarquesa Sidse Babett Knudsen, torna-se praticamente hipnótico e obrigatório já nos primeiros minutos de projeção.
Irène Franchon é uma pneumologista francesa que começa a desconfiar que um determinado medicamento receitado para obesidade e diabetes – denominado Mediator – estaria provocando complicações cardíacas seguidas de mortes em seus pacientes. Juntamente com sua equipe, Irène consegue desenvolver estudos que comprovam a sua desconfiança, mas repentinamente ela se vê na clássica situação de David x Golias: como uma pequena equipe de um hospital universitário do interior vai conseguir colocar contra a parede nada menos que o segundo maior laboratório farmacêutico da França?
“150 Miligramas” segue a tradicional linha narrativa da luta do Bem contra o Mal, estando aqui o Bem representado pela obstinação de uma (rara) médica que ainda acredita que a saúde dos pacientes seja sua prioridade, enquanto o Mal se personifica no poder econômico de uma grande empresa que gera preguiça das agências nacionais de saúde e medo na imprensa de levar adiante um caso deste porte. Maniqueísmo? Pode até ser, mas quem conhece de perto os sistemas de saúde (e da imprensa) sabe que a situação é das mais reais. Mesmo levando-se em conta que a origem do filme é o livro escrito pela própria Irène.
Indicado a dois prêmios César (atriz e roteiro adaptado), “150 miligramas” estreou em 31 de agosto. Benoît Magimel, de “My Way’, também está no elenco.

