“A AVENTURA DE KON-TIKI” MOSTRA A SAGA DO THOR VERDADEIRO.
Meu filho de 11 anos faz junto com alguns amigos dele uma brincadeira de criar frases/poemas/hai-kais, chame como quiser, totalmente sem sentido, por pura diversão. Exemplo: “Um dia vi uma barata no telhado, a partir dai nunca mais comi amendoim na banheira”. Ou “O navio estava voando e furou o pneu. Quantas melancias sobraram? Nenhuma, pois jacaré não come alface”. Ou então “Se você me der um cachorro vou ter que abrir uma padaria, pois vou precisar vender minhas guitarras de marte”.
Lembrei destas brincadeiras ao ver o filme “Wrong”, quarto longa do diretor francês Quentin Dupieux, e primeiro a ser exibido comercialmente no Brasil. A história fala de Dolph (Jack Plotnick), um homem que acorda às 7 horas e 60 minutos (!) e logo percebe que seu cachorro desapareceu. Preocupado, ele resolve ligar para um serviço de pizza delivery e reclamar que a logomarca da empresa – um coelho pilotando uma motocicleta – não faz sentido, pois se o coelho já é veloz o suficiente, por que ele andaria de moto? A atendente do delivery não só concorda com Dolph como resolve abandonar o marido para ir morar com ele. Enquanto isso, nosso heroi frequenta uma agência de turismo onde chove o dia todo (só dentro do escritório, nunca fora), dá conselhos existenciais para o vizinho que decidiu abandonar a vizinhança, e administra o sumiço de seu jardineiro, que provavelmente morreu. Só que não.
Se eu entendi? Claro. Tanto quanto as brincadeiras de meu filho e seus amigos. Mas “Wrong” não é um filme para ser entendido, mas talvez apenas degustado com a devida estranheza de quem veio para confundir, e não para explicar. Igual ao Chacrinha. Se assim não fosse, o filme não se chamaria “Wrong’, right?
Coproduzido por França e Estados Unidos, “Wrong” ganhou o Grande Prêmio do Júri no Sundance Festival. E na categoria Drama. Tô louco pra ver o 2.

