“A CONFERÊNCIA”: O CRUEL PLANEJAMENTO DE UM GENOCÍDIO.

Por Celso Sabadin.

Partindo de um caso real, “A Conferência” mostra um grupo de psicopatas no poder decidindo sobre quais seriam as maneiras mais rápidas e eficientes de praticar um genocídio.

Não, não é uma reunião ministerial do atual governo, mas é bem parecido. O filme recria o infame 20 de janeiro de 1942, data em que representantes do alto escalão do regime nazista se reuniram em uma bela mansão nos arredores de Berlim para decidir as estratégias da chamada “solução final” contra os judeus. Ou seja, o extermínio definitivo.

O roteiro de Magnus Vattrodt e Paul Mommertz detalha as cruéis discussões sobre a logística, questões técnicas e – incrível! – até sobre os aspectos “legais” que envolvem o desejo/ordem de Hitler de erradicar todos os judeus não apenas das fronteiras do Reich, como também de toda a Europa e, ato contínuo, da face da Terra.

Como transportar os judeus, qual a melhor maneira de matá-los utilizando menos munição, como otimizar o tempo do extermínio, como negociar extradições com os demais países, quem fica com o espólio dos mortos, como fica a situação de judeus filhos e netos de alemães, como causar o menor dano psicológico possível para os soldados que os matarão, etc., etc,. cada aspecto é analisado fria e detalhadamente pelo alto comando nazista, como se estivessem discutindo a produtividade de uma fábrica qualquer de parafusos.

O longa também explicita a tensão dos jogos políticos desenvolvidos entre os líderes, cada qual em busca de uma fatia maior de reconhecimento junto a Hitler, já visando supostos benefícios futuros para o pós-guerra.

É impressionante imaginar que o filme foi escrito e produzido a partir dos próprios protocolos oficiais gerados na reunião. Trata-se, inclusive, do terceiro longa sobre o mesmo tema, após “Die Wannseekonferenz” (1984) e “Conspiração” (2001).

A direção do experiente Matti Geschonneck – premiadíssimo diretor da TV alemã – opta acertadamente pela sobriedade e pela crueza, sem ceder a nenhum tipo de espetacularização superficial que o tema poderia proporcionar, e eliminando qualquer trilha musical.

Ao final, o filme reforça a questão dos 6 milhões de judeus mortos pelos nazistas durante a Segundo Guerra Mundial (o plano de Hitler era matar 11 milhões), número já questionado pelo historiador Eric Hobsbawm. Mas a questão aqui não é  matemática, mas sim humana.

“A Conferência” chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 03 de novembro.