A JORNADA TRANSFORMADORA DE “A VIDA APÓS A VIDA”.
Por Celso Sabadin.
Há coisas que só parecem possíveis no cinema oriental. Um sedutor ar de misticismo, uma fluidez etérea entre os planos material e espiritual, a naturalidade com que transcorre o que poderia parecer assombroso. E, principalmente, a paz. “A vida Após a Vida”, longa-metragem de estreia do diretor Zhang Hanyi, é um destes trabalhos orientais que encantam pela simplicidade.
Numa pequena vila chinesa, o espírito de uma mulher toma emprestado o corpo de seu filho para ajudar seu marido a empreender uma importante missão: ela deseja mudar de lugar a árvore que plantou, ainda viva, nos jardins da casa da família.
Fiel à forte tradição esotérica da cultura e do cinema chinês, “A Vida após a Vida” não tem a intenção, muito menos a preocupação, de racionalizar ou explicitar os motivos de seus feitos. É um filme que, assim como toda e qualquer fé, acredita-se ou não, embarca-se ou não, assume-se ou não. Amparado por um reconfortante silêncio e por uma narrativa lentamente hipnótica, o filme acompanha esta jornada de transformações que une passado e presente, pai e filho, famílias. Não raro, transmite a sensação – quase certeza – que nossos desgastados mecanismos ocidentais de percepção da arte já não são mais aguçados o suficiente para captar as diversas camadas de poesia e divindade que propõe.
“A Vida Após a Vida” estreou no 66º Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde concorreu na categoria de melhor filme. Na China, o diretor recebeu o Golden Firebird Award, prêmio concedido a cineastas estreantes pelo Festival Internacional de Cinema de Hong Kong 2016.
A estreia é nesta quinta, 25 de maio.

