A PROXIMIDADE DA MORTE É O TEMA DE DOIS LANÇAMENTOS FRANCESES.

Por Celso Sabadin.

Duas boas produções do cinema francês – uma em cartaz desde o último dia 02/06, a outra estreando amanhã, dia 9 – tratam da proximidade e da inexorabilidade da morte, de forma sóbria, competente e digna: “Está Tudo Bem” e “Enquanto Vivo”.

Já em cartaz, “Está Tudo Bem” traz em seu elenco nomes de peso como Sophie Marceau, André Dussollier, Charlotte Rampling e Hanna Schygulla. Com roteiro e direção do sempre festejado François Ozon, o longa fala de Emmanuèle (Marceau), uma escritora cujo pai (Dussollier), após sofrer um AVC, deseja somente morrer em paz. E apenas sua filha poderá realizar este desejo.

O cineasta afirma que “não se trata de um filme sobre eutanásia. Obviamente, todos temos nossos próprios sentimentos e questões sobre a morte, mas o que me interessava acima de tudo era o relacionamento entre pais e filhas.” A inspiração veio da história real de Emmanuèle Bernheim, colaboradora de Ozon em vários de seus roteiros.

“Está tudo Bem” está em cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Salvador, Niterói e Santos.

Com tema tangencial, “Enquanto Vivo” também se destaca em relação ao elenco: Catherine Deneuve e Benoît Magimel interpretam mãe e filho em rota de colisão rumo ao inevitável. Quando Benjamin (Magimel), recebe a notícia de ser portador de um câncer terminal, o céu desaba não apenas sobre ele, mas também sobre Crystal (Deneuve), sua mãe protetora e algo dominadora. Ambos terão algum tempo – não muito – para tentar resolver antigas e importantes pendências do passado.

“Enquanto Vivo” tem roteiro de Marcia Romano em parceria com Emmanuelle Bercot, também diretora do filme. O longa rendeu a Magimel o César 2022 de melhor ator.

O elenco é otimamente completado por Cécile de France, e por Gabriel A. Sara, que não é ator profissional, mas oncologista na vida real, como o seu personagem.

Além de suas origens francesas e do tema em comum, “Está Tudo Bem” e “Enquanto Vivo” ainda partilham características das mais bem-vindas no cinema de melodrama: sutileza, verdade e dignidade. Sem apelações superficiais.