“ALGUMA COISA ASSIM”: O CURTA QUE VIROU LONGA.

Por Celso Sabadin.

Em 2006, Esmir Filho e Mariana Bastos realizaram o curta “Alguma Coisa Assim”, sobre o profundo relacionamento de amor e amizade que unia os adolescentes Caio (André Antunes) e Mari (Caroline Abras). Simples e sensível, o filme fez muito sucesso no circuito dos festivais, chegando a ser premiado em Cannes.

Onze anos depois, os mesmos cineastas retomam a ideia, transformando-a agora num longa, com o reaproveitamento dos mesmos protagonistas e de cenas filmadas para o curta que o originou. O resultado não é tão bom quanto o longa anterior de Esmir (“Os Famosos e os Duendes da Morte”, de 2009). Tem qualidades, mas é inevitável a sensação de ser um “curta esticado”.

“Alguma Coisa Assim”, o longa, faz um jogo de idas e vindas entre Caio e Mari desenvolvido em três tempos e dois espaços diferentes. Suas histórias se encontram, se desencontram e se reencontram nas fotogênicas geografias de São Paulo e Berlim (o filme é coproduzido com a Alemanha), sempre com excelente desenvoltura da dupla de atores, por sinal, o ponto alto do filme. Ainda que bastante competente nas questões técnicas de fotografia e montagem, “Alguma Coisa Assim” patina no roteiro, que nem sempre consegue a dramaticidade e/ou a fluidez necessária que justifique a transformação do curta em longa. É como se quase tudo já tivesse sido dito na obra de 2006. De qualquer maneira, traz boas reflexões sobre temais importantes e recorrentes  nos relacionamentos a dois, e demonstra uma direção segura, mesmo na ausência de um roteiro mais consistente.

A trilha sonora, se tinha a intenção de irritar, conseguiu.

“Alguma Coisa Assim” estreia em 27 de julho.