AS CRUELDADES AGRIDOCES DE “MONSIEUR & MADAME ADELMAN”.  

Por Celso Sabadin.

Rostos bastante conhecidos da televisão francesa, Nicolas Bedos e Doria Tillier escrevem e estrelam “Monsieur & Madame Adelman”, que aqui ganha o subtítulo de “Uma História de Amor do Início ao Fim”. Além de roteirista e apresentador, Nicolas já havia atuado em “Amor e Turbulência” e “A Datilógrafa”, enquanto Doria, também roteirista, faz com este filme sua estreia como atriz de cinema. Nicolas estreia como diretor. E ambos até que se saem bem.

De fato, “Monsieur & Madame Adelman” conta uma história de amor do início ao fim, como promete o subtítulo, envolvendo Victor, um escritor inseguro, e sua apaixonada Sarah (Doria Tillier, ótima). São décadas de paixões, inseguranças, traições, segredos, risos e choros embaladas por uma marcante trilha sonora, uma charmosa reconstituição de época, e uma maquiagem de envelhecimento que deixa a desejar. O que mais chama a atenção, porém, são as doses de um cruel sarcasmo que permeia toda a trama.

Contrariamente ao que (preconcebidamente) se poderia esperar de um casal que apresenta um programa de entretenimento na televisão, o filme por eles realizado não faz nenhuma questão de ser agradável ao grande público, tocando – muitas vezes com rara frieza – em temas espinhosos que beiram a crueldade. Quando há humor, não é um riso fácil; quando há drama, não raro ele se apresenta doloroso; e quando há romance, muitas vezes ele surge amargo.

Tudo isso pode gerar desconforto em quem busca apenas mais uma comédia romântica francesa “fofa”, mas pode  agradar a quem prefere paladares cinematográficos mais agridoces.

Estreia em 20 de julho.