BONITO DE VER E DE OUVIR, “O GAROTO FANTASMA” DERRAPA NO ROTEIRO.

Por Celso Sabadin.

Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol, a mesma dupla do sucesso “Um Gato em Paris”, lança seu novo longa de animação: “O Garoto Fantasma”. Desta vez, a ação não acontece mais na capital francesa, mas sim numa Nova York de clima “noir”.

Tudo começa quando o policial Alex e o menino Leo – que provavelmente nunca se cruzariam em condições normais do cotidiano – se encontram para viver uma grande aventura. Ambos estão hospitalizados: Alex com a perna quebrada e Leo se tratando de um câncer. O que ninguém sabe é que Leo desenvolveu durante sua internação a capacidade de sair do próprio corpo e viajar livremente pelas ruas, como um fantasma. Assim, eles formam a dupla ideal para tentar resolver o misterioso caso de um chantageador que ameaça a cidade com um potente vírus virtual.

Os traços, as cores, a estética e a animação de Felicioli e  Gagnol continuam bastante atrativos e encantadores. A trilha sonora também é das mais elogiáveis. Mas desta vez, porém, o trabalho da dupla derrapa no roteiro. A tentativa de criar um enredo policial não vai além da repetição dos desgastados clichês do gênero, que piora um pouco mais quando procura – em vão – pontuar a trama com pífios contrapontos de humor. Os joguinhos de perde-e-ganha entre policiais e criminosos tornam-se repetitivos e cansativos, às vezes chegando a diminuir a força do que o longa tem de melhor: as viagens etéreas do protagonista. O filme se dá melhor nos momentos dramáticos, ao explorar com ternura e sensibilidade as relações familiares de Leo diante de sua doença, mas mesmo assim a impressão final é a de desperdício de um bom tema que poderia ter sido tratado com mais magia e sensibilidade.

Afinal, o cinema precisava de mais uma história policial novaiorquina protagonizada por um chantagista criminoso?

“O Garoto Fantasma” estreou nesta quinta, 12 de outubro.