“BRINCANDO COM FOGO”, IMPORTANTE E URGENTE.
Por Celso Sabadin.
Tem a ver, e não tem. Mas ao assistir ao franco-belga “Brincando com Fogo”, me lembrei de “Eles Não Usam Black Tie”, obra prima de Leon Hirszman que mostra o conflito entre um pai sindicalista e seu filho, pelego, durante as crises político-trabalhistas daquele conturbado Brasil do início dos anos 80.
Em sua segunda semana em cartaz em cinemas brasileiros, “Brincando com Fogo” tangencia a obra de Hirszman tanto na questão pai/filho como no abismo ideológico entre ambos. São outros tempos, mas às vezes parece uma mera repetição.
Viúvo, Pierre (interpretado pelo sempre ótimo Vincent Lindon), percebe que seu filho mais velho, Fus (Benjamin Voisin, de “Verão de 85”) está cada vez mais isolado, perturbado e violento. Motivo: o rapaz anda frequentando facções criminosas da extrema direita. Uma enorme decepção para um pai que viveu os movimentos libertários e humanista que (quase) mudaram a trajetória do mundo em 1968.
Sóbria e segura, a direção é de Delphine Coulin e Muriel Coulin, as mesmas de “17 Meninas”. Elas também roteirizaram o filme, em parceria com Laurent Petitmangin.
Além de levantar um tema importante e urgente, “Brincando com Fogo” também brinda sua plateia com (mais uma) ótima interpretação de Lindon, vencedor por este filme do Leão de Ouro de Melhor Ator no Festival de Veneza.

