“CORPO” MARCA A ESTRÉIA DE CINEASTAS PAULISTAS
Com um semblante cansado e desiludido (como aliás costuma acontecer com a maioria de seus personagens), o ator Leonardo Medeiros é o protagonista do suspense “Corpo”, filme que marca a estréia no longa metragem dos curta metragistas paulistas Rossana Foglia e Rubens Rewald.
Leonardo vive o papel de Artur, um desanimado médico legista que certo dia se depara com um mistério intrigante: o necrotério onde trabalha recebe várias ossadas que estavam enterradas há décadas numa vala comum. Provavelmente fruto da ditadura militar brasileira. O inquietante, porém, é que no meio de todos aqueles restos mortais encontra-se o cadáver de uma jovem com praticamente nenhum sinal de decomposição. Artur acha o caso fascinante. Já a sua chefe, Lara (Chris Couto). não dá atenção ao assunto, tratando-o com a costumeira burocracia de sempre. Agora, Artur tem 24 horas para identificar o corpo e resolver o mistério. Caso contrário, o cadáver – junto com seus segredos – será enterrado como indigente.
A busca do legista pelas histórias que possam estar escondidas naquele caso constrói o mote principal do filme que – todavia – vai perdendo seu foco e diluindo seu interesse ao longo da narrativa. Coerentemente, o clima é sóbrio e sombrio. Noturno. Mas a entrada de novos personagens no enredo mais confunde do que realmente esclarece o caso, o que pode até ter sido efetivamente a intenção dos diretores, mas que pouco contribui para a manutenção da atenção à trama.
Chama a atenção a cena onde são apresentados os pais de Artur. O momento exala um forte ar de melancolia, que poderia até justificar o apagado astral do personagem. Mas infelizmente esta situação fica perdida nos primeiros minutos do filme, não sendo mais retomada, nem explorada até o final da projeção.
Como trabalho de estréia, “Corpo” denota talento na criação de clima, na dissecação do viés do suspense. Mas merecia melhor roteiro.

