“CRÔNICA DO FIM DO MUNDO” É UM BELO RETRATO INITIMISTA DAS RELAÇÕES PAI/FILHO.
Crônica do Fim do Mundo
Por Celso Sabadin
Tadinho do cinema colombiano: tão esquecido que este belo “Crônica do Fim do Mundo”, pelo menos até a data de fechamento deste texto, sequer consta do site Imdb, tido como a maior referência mundial em cinema. E olha que o filme é muito bom!
A história se centraliza em Pablo, um homem que há 20 anos não sai de casa, e seu filho Felipe, que faz o máximo para tentar ajudá-lo em seu isolamento. Como a ação se passa em 2012, ano do tão prometido e nunca cumprido fim do mundo, Pablo ocupa o que seriam “seus últimos dias” em telefonar para seus antigos desafetos, a fim de dizer-lhe desaforos entalados há décadas em sua garganta. Amargo, Pablo quer morrer “zerado”. Entre atônito e conformado, Felipe observa, sem julgar, a estranha atitude do pai. Para o filho, é como se o mundo já tivesse mesmo acabado.
Será necessário, porém, que fatores externos venham contribuir para tirar pai e filho deste patético estado depressivo, desta profunda situação de isolamentos e letargia. Pelo menos para ambos, este tipo de mundo precisa acabar.
Com direção intimista e boas interpretações, “Crônica do Fim do Mundo” consegue, com seu estilo minimalista e até certo ponto claustrofóbico, trazer bons momentos de suspense, dramaticidade, ternura e até de bom humor, principalmente através dos impagáveis diálogos telefônicos que Pablo mantém com atendentes de telemarketing.
“- Senhorita, já aconteceu de alguém morrer na linha esperando uma resposta?
- Não, o senhor seria o primeiro”.
Uma boa surpresa vinda da Colômbia. Descubra-a, antes mesmo do Imdb.

