“DEIXE A LUZ DO SOL ENTRAR”, FILME BOM PRA PASSAR NO RÁDIO.
Por Celso Sabadin.
No final da I Guerra Mundial, alguns intelectuais e cineastas franceses iniciaram um movimento para que o Cinema alcançasse o status de Arte. Até então, ele era considerado apenas um entretenimento popular. Nesta época, destaca-se a produção de vários filmes franceses focados principalmente nos dramas íntimos e aflições particulares de seus protagonistas. Mais tarde, já nos anos 1950, o cinema feito na França retoma esta questão com uma nova leva de filmes que buscam investigar com profundidade a dramaticidade psicológica de seus personagens. Não à toa, durante quase todo o século 20 o cinema francês foi considerado extremamente “papo cabeça”.
Agora, um século depois da I Guerra, honrando a tradição verborrágica do cinema da França, a cineasta Claire Denis realiza “Deixe a Luz do Sol Entrar”. Haja papo cabeça! Haja verborragia!
Convincente como sempre, Juliette Binoche interpreta Isabelle, uma artista plástica parisiense de meia idade que tem a incrível capacidade de se relacionar somente com homens problemáticos e desagradáveis. No melhor estilo do que há de pior na teledramaturgia brasileira, Isabelle verbaliza em voz alta o que está sentindo. Entre um namorado prepotente, outro inseguro, e outros absolutamente desinteressantes, o filme monta uma teia de personagens desagradáveis afundados e atolados em quantidades industriais de diálogos inconsistentes. Nos minutos finais, surge Gérard Depardieu num quase monólogo que dá a impressão que o filme jamais irá terminar. A boa notícia é que ele acaba.
“Deixe a Luz do Sol Entrar” tem sua estreia em 29 de março.

