“DENTE POR DENTE” BUSCA O SUSPENSE INVESTIGATIVO COM DENÚNCIA SOCIAL.

Por Celso Sabadin.

Eu uma das cenas iniciais de “Dente por Dente”, o protagonista, à procura de seu sócio que havia desaparecido misteriosamente,  pede para a recepcionista de um hotel de luxo que o deixe entrar, para ver se o sujeito realmente está hospedado ali. Ela permite, ele entra – sozinho – encontra a porta aberta e o sócio morto ao lado de uma mala, também aberta, lotada de dinheiro. Pega a mala, leva-a para seu carro, e só então retorna ao quarto do falecido, agora ao lado de dois seguranças do hotel, e vai embora com o carro (e, claro, com a mala), sem nenhum problema. Tudo com a maior facilidade, sem nenhuma câmera de vigilância, fácil, fácil.

A partir daí, fica difícil comprar o restante do filme. Não se trata de purismo lógico, mas de um mínimo de coerência de roteiro que um filme que se apoia na linguagem naturalista deve oferecer ao seu público (o personagem inclusive entrará em um outro hotel e remexerá em outro quarto, sem que ninguém lhe imponha dificuldade alguma).

Quem não se importar com questões de verossimilhança pode até curtir a trajetória de Ademar (Juliano Cazarré, convincente), sócio minoritário de uma empresa de segurança que presta serviços para uma grande construtora. Após receber um perturbador chamado noturno de um de seus clientes, e notar o desaparecimento de Teixeira (Paulo Tiefenthaler), Ademar começa uma investigação solitária das ocorrências. E ainda tem de lidar com estanhos pesadelos, nos quais lhe caem os dentes.

A direção de Júlio Taubkin e Pedro Arantes se mostra mais eficiente que o roteiro de Arthur Warren. “Dente por Dente” é eficaz na criação dos necessários climas de suspense (tangenciando com o terror), mistério investigativo e ritmo da condução da narrativa que a trama pede, mas peca na construção da história em si, que aos poucos se mostra pouco criativa e previsível, quando não confusa. Um certo tom de denúncia social emerge no final, mas não de forma suficiente para ressuscitar o filme como um todo.

Como já é de hábito em boa parte do cinema brasileiro, uma tediosa e dispensável narração em off permeia todo o longa, neste caso –  muito provavelmente – na tentativa de conferir ao filme um clima de policial noir norte-americano. Sem sucesso.

Com Paolla Oliveira, Renata Sorrah, Aderbal Freire Filho, Juliana Gerais, Paula Cohen, Phillip Lavra, Bruno Bellarmino. Adriano Barroso, Digão Ribeiro, Domênica Dias e Ana Flávia Cavalcanti completando o elenco, “Dente por Dente” estreia nos cinemas nesta quinta, 28/01.