EM DVD, “IRMÃS DIABÓLICAS” HOMENAGEIA HITCHCOCK.
Por Celso Sabadin.
Antes de “Carrie, a Estranha”, antes de “Vestida para Matar” e muito antes de “Os Intocáveis”, Brian de Palma já exibia seu talento – e sua paixão por Hitchcock – com o envolvente “Irmãs Diabólicas”, de 1973, uma bem dosada mistura de suspense e horror temperada com pitadas de humor cínico. Como Hitchcock gostava, diga-se. Numa primeira olhada, identifica-se com certa facilidade em “Irmãs Diabólicas” várias grandes referências à obra do Mestre do Suspense. A primeira e mais óbvia é “Janela Indiscreta”, posto que a trama é desencadeada por uma testemunha que vê um assassinato pela janela de seu apartamento. O corpo escondido num móvel da casa durante praticamente todo o filme remete diretamente a “Festim Diabólico”. “Quando Fala o Coração” é amplamente citado no surrealismo das sequências de hipnose, enquanto as facadas do assassinato inicial têm tudo a ver com “Psicose”. Aliás, qualquer fã de Hitchcock consegue adivinhar o “segredo” do filme no momento em que a protagonista conversa com sua irmã gêmea, fora de cena, de uma maneira que o público só ouve suas vozes e jamais as veja juntas. Não por acaso, o diretor escolheu ninguém menos que Bernard Herrmann, um dos mais conhecidos colaboradores de Hitchcock, para fazer a trilha de “Irmãs Diabólicas”.
Mas é importante que se diga: diferente de Tarantino (que faz de seus filmes amplos caldeirões de referências, mas acaba realizando filmes que são pouca coisa mais que um mero alinhavar de colagens cinematográficas de outros autores), De Palma consegue obter consistência própria em seu trabalho. Traça com maestria a linha narrativa de um suspense carregado de mistério, entretém e encanta o público com seus conhecidos malabarismos cênicos (as ações acontecendo paralelamente na tela dividida em duas metades, por exemplo), carrega suas tramas de conteúdo psicológico, e ainda tem tempo de criar aqui e ali alguns comentários repletos de sarcasmo. Como o personagem negro ganhar num programa de TV um jantar num restaurante africano, ou a protagonista afirmar que “disse palavrões tão horríveis que não poderiam ser ditos nem num filme francês”, só para citar dois exemplos.
“Irmãs Diabólicas” faz parte da caixa de DVDs “A Arte de Brian de Palma”, lançada pela Versátil em edição repleta de extras.

