FESTIVAL LATINO: “JESUS” e “MALA JUNTA” SÃO DESTAQUES CHILENOS.

Por Celso Sabadin.

Um dos destaques da 12ª edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo é a mostra Foco Chile, que reúne os longas “Jesus”, de Fernando Guzzoni, “Más Companhias”, de Claudia Huaiquimilla, “Rei”, de Niles Atallah, e “Vida em Família”, de Cristián Jiménez e Alicia Scherson.

Tratam-se de filme finalizados em 2016 e 2017 que circularam em festivais como Roterdã, Sundance, Toronto e Guadalajara. Todos os filmes têm representantes confirmados em São Paulo.

Coproduzido por Chile, Colômbia, França e Alemanha, “Jesus” trata de um tema bastante recorrente não apenas na América Latina como no mundo inteiro: a violência gerada por uma juventude sem perspectivas. O Jesus do título é um rapaz que não estuda, nem trabalha. Simplesmente perambula com os amigos, bebe, dança, transa, sem objetivo algum. A necessidade de ser aceito em seu grupo, aliada ao entorpecimento, abre todas as portas para uma vida comanda pelos mais selvagens instintos violentos, onde a tragédia se apresenta como consequência natural. Não raro, o filme cai na velha armadilha de se mostrar vazio e enfadonho como forma de externar a igualmente vazia e enfadonha trajetória do protagonista. Por vezes exagera no explícito e não é muito afeito a sutilezas, mas mesmo assim consegue – principalmente em seu final – externar visceralmente a gravidade do tema a que se propõe.

“Jesus” é o segundo longa ficcional do chileno Fernando Guzzoni, o mesmo do premiado “Carne de Perro”, também inédito no Brasil.

Mais palatável, mais bem acabado, mas igualmente perturbador,

“Más Companhias”, primeiro longa ficcional da chilena Claudia Huaiquimilla, também aborda o tema da adolescência sem objetivos. O protagonista é um rapaz problemático que após cometer delitos na cidade é enviado ao campo para morar com seu pai. É no ambiente rural que o jovem tomará contato com outros tipos de conflitos e desajustes sociais, principalmente os relacionados a uma indesejável fábrica de celulose que oprime os trabalhadores representantes da cultura local mapuche.

Abordando com equilíbrio as temáticas sociais com um entrecho romântico-familar, “Más Companhias” venceu o Festival de Valdívia, além de circular em eventos como Guadalajara, Toulouse, e Gotenburgo. A diretora tem origem mapuche e o resgate de suas raízes indígenas e os traumas infantis são temas de seu interesse.

Com curadoria e direção de Jurandir Müller e Francisco Cesar Filho, o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo acontece de 26/07 a 2/08 em 26 espaços culturais das cidades de São Paulo e Campinas