“GERONIMO” É O “AMOR SUBLIME AMOR” ÉTNICO DA FRANÇA CONTEMPORÂNEA.
Forte. O chamado soco no estômago. Geronimo, novo filme do diretor, produtor e roteirista Tony Gatlif, escancara suas lentes sobre uma França que nem sempre vemos no cinema: um país longe do charme dos seus queijos e vinhos, e perturbadoramente próximo de conflitos étnico-culturais que mais se assemelham a uma guerra civil urbana.
Apesar do nome masculino, Geronimo é uma mulher (Céline Salette). Uma educadora que se vê no meio do fogo cruzado que se transforma a rivalidade entre ciganos e turcos, no sul da França. A batalha explode quando a jovem de origem turca Nil (Nailia Harzoune) foge de seu casamento arranjado para viver com o cigano Lucky (David Murgia, de Tango Livre). O clima de tensão e morte é constante e ininterrupto. A pequena cidade onde tudo acontece se transforma num barril de pólvora, num clima de horror potencializado pela aura de destruição e aridez da fábrica abandonada que serve tanto de palco para os conflitos como de tela para os grafiteiros.
Nil e Lucky se transformam inadvertidamente num Romeu e Julieta contemporâneos, e as empolgantes cenas de lutas mescladas com danças flamencas remetem a um novo e conturbado Amor Sublime Amor misturado com Warriors – Os Selvagens da Noite.
No meio da guerra, percebe-se uma Geronimo guerreira, sempre vestida com as cores da bandeira francesa, tentando mediar o que homens de preto e de branco parecem tornar imediável.
Envolto por uma trilha sonora energética e extraordinária, o filme participou da seleção oficial de Cannes e merecer ser conferido.

